Quando a vontade tem que persistir
Posted on Fevereiro 10th, 2010 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Os pais sempre querem participar da vida dos filhos. Talvez, para alguns, essa capacidade seja firme e inabalável, em qualquer situação. Para outros, menos habilidosos, desafortunados de espírito, o limite de tolerância aos lampejos irreverentes e às palavras afiadas dos rebentos, que cortam e ferem, pode ser bem mais baixo, e inviabilize o diálogo. Há vários processos de ruptura, nestas relações familiares, que precisam ser enfrentados.
Acredito que a independência, autonomia, a busca pelo prazer, aceitação social, há uma série de fatores que levam os filhos para perto dos seus grupos sociais, em busca de seus esconderijos. Lá, até redefinem suas identidades. Longe dos pais, adotam o linguajar grotesco, que nunca arriscariam em casa, para simplesmente se tornarem mais um no bando. Supostamente, um ser normal, comum.
Neste momento de distanciamento, é inevitável o fraquejar dos pais. Diante da falta de identificação, perguntam-se sobre o que teriam feito de errado. É, também, desgastante, torturante, sofrida a tentativa de passar-se por simples expectador, assistindo às cenas, sem interagir. Afinal, ser um mero porteiro ou síndico da casa faz do silêncio uma resignação e das reclamações uma indignação sem fim.
Quando, perigosamente, estar próximo começa a tornar-se uma impossibilidade, além de se perder a capacidade, perde-se a vontade de participar.Então, pode até parecer melhor, mais confortável, ficar longe, mais longe, mais longe.
Ledo engano. Isso vai doer muito mais. Como tudo tem solução, uma conversa franca poderá colocar as coisas no lugar, desde que seu coração paterno reassuma o comando, habilitando sua vontade a persistir.
A verdadeira motivação da Arte
Posted on Janeiro 29th, 2010 in Auto-Ajuda | No Comments »
Visitando o blog do competente fotógrafo Canindé Soares, encontrei as fotos do show realizado, ontem, 27 de janeiro, que tive a honra de assistir, como convidado.
Dentre os registros de Canindé, escolhi uma imagem, que consegue traduzir um pouco do tudo, da alma artística de Fernando Luiz.
O cantor, que comemorava 40 anos de carreira, nessa noite, apresentou-se para um público renovado.
Quem perdeu o espetáculo da música, dos músicos e dos intérpretes potiguares, vai ter que esperar, agora, pelo lançamento do CD e do DVD.
Um show impecável, sob a coordenação da produtora Joelma Tavares, cheio de técnica, de arte, e de garra, também necessária para se empreender projetos desta envergadura.
Até mesmo na escolha do local - Felipe Camarão, bairro da zona oeste de Natal - para gravar o seu novo DVD, Fernando foi puro e autêntico.
O repertório teve cuidadosa seleção, contando com músicas que pareciam reavivar um pouco da história; não só a do intérprete, mas também dos que puderam vivenciar as épocas revisitadas.
Sem a menor sombra de dúvida, foi uma noite especial, de realização compartilhada. Era visível que profissionais, técnicos, artistas convidados, incentivadores e especialmente o público presente, todos queriam oferecer sua parcela de comprometimento com aquele sucesso. Mérito do artista que consegue atrair, conquistar e unir tantos corações, almas e braços.
E, ao desejar parabéns a Fernando Luiz, eis a foto que dispensa palavras.
Nela, podemos perceber claramente a verdadeira motivação da cultura e da arte: o sentimento!
Os pais dos filhos das baladas
Posted on Janeiro 3rd, 2010 in Auto-Ajuda | No Comments »
Como são difíceis esses tempos modernos, tempos noturnos, tempos de jovens, que não podem desperdiçar nenhum instante potencialmente prazeroso, disponível, a ser aproveitado.
Na busca por encontros sociais, por experiências amorosas, iniciam-se, na temporada das baladas.
Querendo descobrir o mundo, enfrentar desafios, os jovens recebem o convite, quase irrecusável, da madrugada. E entregam-se, sem muita resistência, ao batismo das drogas, o primeiro teste de inclusão. Afinal, saber beber (droga básica) é uma demanda inicial do aprendizado, é o primeiro estágio de uma escola que vai laurear os mais aplicados, talvez aprisionando-os definitivamente.
E as noites correm, pela madrugada a dentro, aguçando sentidos, anestesiando reflexos. O medo, que deveria cumprir seu papel de proteção, simplesmente se esvai, desaparece, diante de uma impetuosidade anabolizada; em fuga, abandona o frágil e audacioso ser, à sua própria sorte.
A odisséia de descobertas inusitadas acompanha os mesmos rastros deixados pela manada. Delineia-se o trajeto comum, noturno,“normal”. Até que os raios do sol venham coroar a aventura, servindo de sinalização para um pequeno intervalo, fecho de etapa.
Os jovens “normais” são aqueles que seguem o script dos comuns, do comboio, em busca de contatos pessoais, de afirmação social, de prazer.
Outro papel, todavia, é encenado pelos pais de filhos das baladas. A experiência já não é tão prazerosa. A eles cabe esperar pelos filhos normais, torcendo pela prevalência de tudo aquilo que tentaram ensinar, anos a fio. Ansiosos, aguardam pelo amanhecer, sempre negro de expectativas, moribundo, potencialmente mórbido. Em suas mentes “não tão normais” prenuncia-se a possibilidade angustiante da tragédia.
E torcem, apertam o coração, rolam de um lado para o outro da cama. Então, lá no âmago, abominam, inconscientemente, a madrugada das baladas, a essência da aflição. Desejam que, um dia, a vida de seus filhos possa banhar-se somente de luz, a luz do sol, pelas cores do dia, pelas certezas, pela claridade da verdadeira esperança.
Reunião de amigos, era o lançamento de Ubaia Doce
Posted on Dezembro 20th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Festa especial do TALENTO POTIGUAR
Posted on Dezembro 20th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Dia 10 de dezembro, na Pizaria “A Italiana”, da Avenida Maranguape, Zona Norte de Natal, ocorreu uma grande confraternização de parceiros do programa TALENTO POTIGUAR. A bela festa foi organizada por Fernando Luiz, cantor e apresentador, e Joelma Tavares, produtora.
De quebra, os presentes ainda puderam assistir a um show especial do talentoso cantor; Fernando entusiasmou a platéia, com suas músicas inesquecíveis.
Uma oportunidade imperdível, também, para observar um Mestre. Encontrar com Fernando é aprender um pouco com a sua Arte, sua forma sincera e autêntica de cativar as pessoas, a maneira prazerosa com a qual realiza o seu trabalho. Verdadeira aula de um artista sensível, que consegue sedimentar, como poucos, a partir dos mais singelos encantos, o caminho da felicidade.
Festa para Ambrósio, em São Paulo do Potengi
Posted on Dezembro 5th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Fui convidado para um evento de comemoração, em São Paulo do Potengi, nesta sexta-feira, 4 de dezembro.
Estava preparada bela festa, e mais do que merecida, em homenagem a Ambrósio Azevedo, pela passagem dos seus 82 anos de vida.
Ambrósio foi dileto amigo e companheiro de meu pai, ambos colaboradores de primeira grandeza da obra comunitária do Monsenhor Expedito Medeiros, inesquecível líder religioso. Naqueles idos de 60, as afinidades, porém, transformavam-se em rivalidade, quando o assunto era política e futebol. Os dois se digladiavam, em praça, através de seus programas nas “difusoras” da época. Segundo relatos do próprio Ambrósio, “as palavras se agarravam no ar, e rolavam pelo chão”, tamanha era a veemência do combate.
Peguei a estrada. Ainda, no percurso, sem perceber, flagrei-me cantarolando “Royal Cinema”. Kátia, do meu lado, estranhava a repentina cantoria. Meu pai sempre entoava esta, que era sua música preferida, nas viagens à sua querida cidade, demonstrando a alegria de retornar ao Potengi.
Chegando a São Paulo, assistimos a uma grande demonstração de carinho e respeito pelo aniversariante, um personagem marcante na história do município. A noite foi de gala. Imperdível. Não faltaram os discursos. Afinal, com um microfone à disposição do radialista octogenário e de seus filhos, netos, sobrinhos, amigos, muitos herdeiros de sua verve oratória, as narrativas de histórias, das melhores de um baú inesgotável, foram brotando, aos montes.
Sei que, ao meu lado, irrequieto, talvez querendo compartilhar aquele abraço que dei no “Compadre Ambrósio”, ou já se “caqueando” para também pegar o microfone, papai estava junto, bem junto, em espírito.
Enfim, o evento reavivou emoções fortes e autênticas, foi uma oportunidade de relembrar o passado, festejar o presente, ajuntar-me a tantos amigos e familiares, reunidos em torno de Ambrósio, desejando-lhe muitos, muitos outros anos de vida!
Por que escrever?
Posted on Novembro 15th, 2009 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Na iminência de lançar meu terceiro livro, parei para refletir sobre o meu papel de escritor.
Algumas pessoas me perguntam o porquê. Qual seria a minha motivação para escrever?
Avaliando o que consegui produzir, ainda de modo incipiente, consigo estabelecer a correlação desta produção com os desígnios da vida.
Em maio de 2005, perdi meu pai, um verdadeiro Mestre, alguém muito querido, e muito importante para mim.
Em abril de 2006, quase um ano após, realizamos uma grande homenagem à sua memória, num evento inesquecível, noite de gala na Academia de Letras do RN. Nesta mesma noite, que se tornou trágica, meu irmão mais velho sofreu um acidente fatal.
Eu ainda tentava curar a dolorosa ferida, quando outra se abriu, inesperadamente, como um corte impiedoso.
Sinceramente, não resisti aos golpes, e sucumbi. Meu espírito clamava por explicação, por razões, encolhendo-se, murchando-se, perdendo-se numa imensidão de dúvidas existenciais.
Diante do precipício, chorei, como nunca. Nada seria igual, doravante. A própria vida já não me empolgaria tanto.
Mas, ao meu lado, estavam, ali, a família e os amigos.
Então, revirei meus arquivos, e encontrei lá um rascunho, como se fora um punhado de cacos, pedaços de alguém que já não existia.
Respirei forte, enchi os pulmões. Meu olfato seria o primeiro sentido a me repor o gosto de viver. Percebi, então, ao abrir os olhos, que o cheiro de café fresco poderia prenunciar um AMANHECER de verdade, enfim.
Com renovado alento, reinventei os conceitos que já não me serviam, quebrei a rigidez concreta da minha lógica existencial. Das fissuras abertas, pelas frestas, escapavam alguns fachos de luz. Era a DESCOBERTA maior da minha espiritualidade.
E Almíscar, o segundo livro, nasceu como uma nova revelação, que brotava do próprio ser, odor do redescobrimento.
Escrevendo, sentindo, expressando, fazendo de conta que podia ajudar, eu apenas tentava ressuscitar a própria esperança.
Quando concluí “Ubaia Doce”, o recente trabalho, uma grande redefinição do entendimento sobre Deus, Vida, Morte e Amor firmava-se, em minha mente.
Encenando o papel de lanterneiro, usando as figuras literárias da auto-ajuda, findei iluminando meus próprios caminhos.
Pelos universos literários, empunhando a tal lanterna, já estou agora convicto da necessidade de perseverar na busca, explorando as trilhas que começaram lá atrás, e seguem, em direção ao futuro, destino ainda desconhecido, inacabado, universo sem fim.
O Bronze de Kátia e Socorro nos Jogos da Caixa - São Luís
Posted on Novembro 2nd, 2009 in Auto-Ajuda | 10 Comments »
A partir da vontade de realizar, concentrando esforços, buscando e alcançando objetivos graduais; assim, a dupla de voley de areia da APCEF-RN construiu sua recente história de conquista (que promete não parar por aí).
A última bola a cair na quadra adversária, na Arena de São Luís, demonstrou que a vitória não estava, apenas, ali, representada, pois os seus símbolos eram bem maiores e mais precedentes.
Começaram a revelar-se nos sábados longínquos de treino estafante, na abdicação do convívio familiar, nas tantas repetições de jogadas, nos fundamentos ensaiados, com suor e força de vontade. Até mesmo na frustração dos percalços eventuais da competição.
Com um bom jogo, cheio de colocadas, saques eficientes, defesas, bolas trabalhadas, a disputa do terceiro lugar foi vistosa, bonita de se ver.
O nível elevou-se, permitindo que a qualidade técnica das jogadoras fosse demonstrada.
Destaque-se que, além da boa disputa, prevaleceu o fair play e o espírito esportivo saudável.
O segredo de cada grande ou pequeno sucesso consiste em competir consigo próprio, em busca da superação; porém, lembrando de enxergar e respeitar todos os atores que interagem, até mesmo aqueles que encenam o papel de adversários.
Socorro e Kátia construíram uma vitória, especialmente, diante dos competidores, ao lado dos colegas, dos amigos, dos familiares, sabendo compartilhar com todos eles o prazer da conquista mais legítima.
E, deixando para trás os medos, as cobranças pelo que poderiam fazer, já com a certeza de que valeu a pena, somente aproveitaram o sabor do triunfo.
Esta é a verdadeira medalha dos campeões.
Parabéns!
Aniversário da eterna alegria
Posted on Outubro 27th, 2009 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Por que se entristecer, se a lembrança não mais será alcançada pela tristeza?
Por que não dizer da sua presença forte, que permanece?
Por que não mais ver a sua beleza, somente porque os limitados sentidos humanos não conseguem alcançar sua nova forma?
Por que não fazer o mesmo que você faria? Dar risadas para a vida, mesmo que a vida, por não mais persistir, não mais ria?
Por que não dar PARABÉNS pela existência que nunca perece, que até se supõe ter ido, mas refloresce, no relembrar-se de cada novo dia?
Por que não festejar, exaltar a sua memória? Afinal, são 27 de outubro!
Hoje, uma força transcendente me leva, junto com todos que o amam, todos nós, a desejar, profundamente, reencontrar o semblante do seu melhor sorriso.
Planando, sobre um mar de lembranças calmas, serenas, espalmamos a mão e colhemos uma fina lâmina d’água. Mesmo antes que escorra de nossa palma, num centésimo de segundo, conseguimos reavivar um turbilhão de momentos felizes, reencontrando cada pedaço de memória.
E, assim, conseguimos celebrar, revigorados, o ANIVERSÁRIO da sua inesquecível alegria!
Um argentino altivo nunca compreenderá nosso complexo de vira-latas
Posted on Outubro 18th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Eram 11 de outubro, noite de apresentação na casa “Señor Tango”, situada no antigo bairro de Barracas, em Buenos Aires. Show épico da cultura argentina. O cantante e falante Fernando Soler comanda o espetáculo. Em português quase fluente, se dirige aos muitos brasileiros presentes. Tergiversa sobre a rivalidade Brasil-Argentina, reduzindo-a, restringindo-a ao “fútbol”, à “pelota”. Afirmou: “Somos irmãos, amigos, e nossas desavenças são apenas esportivas.”
Numa inusitada proposta, ao reclamar da situação de crise por que passa o seu país, sugere aos brasileiros: “Vamos trocar a nossa Cristina pelo Senhor Da Silva?” Tentando apresentar argumento convincente, bem-humorado, lembra que, pelo menos no aspecto beleza, a Senhora Kirchner é superior. Insiste no tema, e apela aos brasileiros para que, pelo menos, cedam o seu Presidente por uns 4 anos aos argentinos, pelo amor de Deus.
Para supresa de Fernando, os abastados brasileiros, que estavam na casa Señor Tango, não compartilhavam o mesmo respeito que ele demonstrava pelo governante brasileiro. Não representavam, a bem da verdade, a grande maioria do povo brasileiro, com certeza. E até sugeriram, aos gritos, que a Argentina ficasse, definitivamente, com o Senhor Da Silva. Eram os nobres representantes dos 20% da população brasileira, a parte “esclarecida”, aqueles que nutrem o complexo de vira-latas, a exaltação aos preconceitos.
Impressionado com a reação estranha, Fernando Soler, então, com o dedo em riste, apontava para os expectadores brasileiros, tentando ensinar uma lição de altivez.
Profetizando, agora mais sério e compenetrado, vaticinou, com uma ponta de inveja: “Vocês vão sentir muita saudade desse tal de Lula da Silva. Lembrarão do que estou dizendo, um dia. Seu presidente não fala inglês, mas é muito inteligente. Vocês vão sentir saudade de Lula da Silva.”
Pétalas reveladas
Posted on Outubro 18th, 2009 in Auto-Ajuda | 4 Comments »
Tarde, em Buenos Aires. Saindo do restaurante Cabaña Las Lilas, já andando pelo calçadão dos diques, desfrutando da paisagem moderna de Puerto Madero, notei uma flor, que se escondia, encravada numa das cestinhas de basurero, espalhadas na passarela. Parecia abandonada ao seu destino, quieta, acolhida pelo relento, entregue ao esquecimento.
Num instante, sem pestanejar, voltei correndo, e livrei o depauperado ser de seu ostracismo imposto. Desejando resgatar encanto adormecido e despedaçado, eis que a flor se revela, como um sorriso desdentado, meio acabrunhado. Sem a exuberância de suas pétalas vermelhas, mas ainda flor, símbolo formoso, a despertar gestos, a renascer.
Mais do que referenciando a nação albiceleste, uma Argentina diante das crises, contabilizando perdas, sem jamais extinguir a beleza e imponência graciosa. Lembrando, na verdade, o AMOR, a improvisação do sentimento, a melhor parte da surpresa, a mais bela paisagem, a brevidade eterna do sorriso, a esperança da Felicidade.
Uruguai, lugar de amizade duradoura
Posted on Outubro 17th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Chegamos a Montevideo, na madrugada do dia 10 de outubro. Um frio de 12 graus estava ali, firme, a nos recepcionar. Conhecemos Carrasco, seu aeroporto simples. Na entrada, uma inscrição sugestiva, logo no salão da imigração: “Uruguay, El corazon del MERCOSUL”.
Nem imaginávamos que se revelava, ali, o código a decifrar toda a tônica daquele lugar tão afável, de coração receptivo.
Seguimos para o hotel Lafayette, num Fiat velhinho, e o taxista aceitou receber a moeda brasileira como pagamento. O peso uruguaio estava cotado a menos de 10 centavos de Real.
No dia seguinte, descobriríamos justificativas para a fama acolhedora. Logo no café, em conversa amena, casual, conhecemos Júlio e Francisco, dois quase uruguaios. Seu Júlio era residente em Montevideo e Francisco oriundo do Rio Grande. Dois amigos que ganhamos nas ribeiras do Prata.
Os amáveis senhores nos perguntaram sobre nossa programação e, inesperadamente, propuseram-se a nos encaminhar, em nossa perambulação portenha. Não sossegaram, enquanto não mostraram os encantos da Plaza Independência, do centro antigo, da Avenida 18 de Julio. Aceitamos, de bom grado, a ajuda. Levaram-nos a uma casa de câmbio para trocar moeda, a uma locadora de carros. Por fim, ensinaram o caminho a seguir para Colônia Del Sacramento, nosso destino. Decididamente, confirmaram ser a placa do salão de imigração fidelíssima ao espírito uruguaio-brasileiro.
Dos novos amigos, dos ares da tranqüila Montevideo, da brisa das ramblas (vias litorâneas do Rio de La Plata), carregamos um pouco da quietude e serenidade que nos sussurrou, mansamente, um convite inevitável: “voltem sempre.”
Alma Argentina
Posted on Outubro 16th, 2009 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Viajar pelo mundo é um privilégio. Poder testemunhar personagens reais interagindo com o seu habitat, comunicando-se, emocionando-se, ou simplesmente cumprindo suas rotinas mais simplórias.
Como observadores atentos, vamos registrando imagens, mentalmente, retratos dos tipos humanos, para guardá-los na memória, e levá-los conosco.
Na Argentina, encontrei um povo peculiar, de sangue latino, poucas ramas e traços indígenas, decididamente encobertos pelo estereótipo dominante.
Conheci uma Buenos Aires altiva, cheia de encanto na Calle Florida, de modernidade em Puerto Madero, de glamour na casa Señor Tango, apesar do sujinho Subte (metrô).
Sábado, 10 de outubro, dia de jogo da seleção local, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de Futebol, com o gol da vitória marcado aos 48 minutos do segundo tempo, e o povo explodindo em choro, emoção, sentimento escancarado.
O jogo contra o Peru, lanterna da competição, era a síntese da agonia e glória do espetacular futebol argentino, com a alma lavada por uma chuva torrencial, e pelo resultado sofrido. Com a marca argentina de ser e viver, intensamente, o futebol representou mais um ato do teatro real, diante dos meus olhos, um “hola, sea bienvenido al país de la pasion”.
Senti-me recepcionado por Maradona e suas lágrimas, num ambiente de dramaticidade, que emoldurava as figuras humanas de sua gente, tão gente, tão humanas.
Caminhando pelas ruas do centro, conversando, tentando adaptar-me ao forte sotaque, encontrei paisagens, mesmices metropolitanas; mas, sobretudo, um lugar encantador, um povo de características marcantes, peculiares; diferentes, “pero no mucho”.
Enquanto seguíamos pelo metrô local, até o bairro de Palermo, presenciei jovens cedendo lugar para senhoras de idade, “mujeres embarazadas” (grávidas), vendedores de santinhos, quase pedintes. Testemunhando, ao meu lado, um “besito” estalado (e despretensioso) de dois rapazes, que se despediam na saída do trem, arregalei os olhos, enquanto Kátia exclamava, em alto e bom som: “que bonitinho!”
Estávamos na Argentina!
Bela e sentimental, trágica, melancólica, altiva, forte, encantadora, como o tango mais melódico e cadenciado, dançado, encenado com passos firmes, gestos harmoniosos, vibrantes, e alma enamorada.
…
O Show de Ciro Gomes na Band
Posted on Setembro 21st, 2009 in Auto-Ajuda | 6 Comments »
Que domingo televisivo! No Fantástico, foram apresentados dois documentários, um depois do outro, em sequencia mesmo. O primeiro demonstrava quanto o Rio de Janeiro é dominado por traficantes, sem governo; no segundo, São Paulo é eficiente na prisão de seqüestradores. Poxa, como o governo de São Paulo é eficiente. Mas, só recentemente, a partir de 2004, alertava o narrador da Globo. Pressenti que a propaganda eleitoral já estava valendo para a Globo, com as suas descaradas mensagens subliminares.
Mudando de canal, parei na BAND. Estava transcorrendo o programa Canal Livre. Que sorte e privilégio. Pude testemunhar um “show” de CIRO GOMES, enfrentando os DESPREPARADOS jornalistas Boris Casoy, Fernando Mitre e Alguma Coisa Teles.
Foram hilárias as caras e bocas torcidas dos nobres e parciais entrevistadores. Eles ficaram completamente atordoados com as respostas.
Boris era flagrado balançando a cabeça, em negação, o tempo todo. Irritado com sua própria incapacidade de encurralar o deputado Ciro.
Sorrisos? Somente da parte do entrevistado, que parecia deslizar pelos temas, com firmeza, habilidade, e a costumeira lealdade.
Armaram um circo, para os leões, travestidos de jornalistas, trucidarem a presa. Acho melhor arrumarem outros felinos. A presa traçou os predadores.
Valeu o domingo.
Lembrando de voltar
Posted on Setembro 12th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Os softwares genéticos que herdamos, de geração para geração, executam suas rotinas. Estas “programações existenciais” nos remetem, insistentemente, a um ponto inicial de referência. Em nossa ingenuidade imaginativa, afixamos, junto ao céu deste horizonte, a placa de “Lar, doce Lar”.
Parece que nossos antepassados tinham estigma de forasteiros, seres deixados na terra, longe de suas casas. Pois, reproduzimos a sensação de distanciamento da nossa casa, o tempo todo. Quando saímos, a passeio, a trabalho, para morar em outro lugar, sofremos com o afastamento, sempre de alguma forma instintiva.
Desejamos voltar, com toda a força de nosso ser.
A “saudade” é a tradução de nossa ligação com ambiências, com aquilo que elegemos para referenciar nossas origens: nossa casa, nossa terra, nosso planeta, nosso mundo, nosso universo, nossa vida.
Todos os seres estão fadados a voltar à origem. A Bíblia cita que viemos do pó e retornaremos ao pó.
Somos, mesmo, programados para retornar ao Lar, de onde viemos. Podemos, até, não conseguir mais identificar este recanto, o mais remoto, a primordial origem.
Todavia, a simples possibilidade da chegada, enfim, nesse pouso eleito, a Casa, concede-nos refrigério, enchendo nossa alma com regozijo transbordante.
As influências em UBAIA DOCE - Teses da Bíblia Cimeira - 2
Posted on Julho 26th, 2009 in Auto-Ajuda | 3 Comments »
Certa tarde, encontrei minha querida e pensativa filha assistindo a um filme muito interessante.
Era “Ponto de Mutação”, uma obra baseada em livro de Fritjof Capra.
Passando pelo quarto, parei, não consegui mais desgrudar os olhos. Fiquei enfeitiçado por aqueles diálogos, que pareciam monólogos intercalados. E sentei, ao lado de Tatiana, curioso (na condição de pensativo pai, ao lado da pensativa filha).
As teorias quânticas de uma cientista, bem menos radical do que o amigo Carl Sagan, eram chatas de ouvir. Mas, cativaram minha mente, desejosa de palavras racionais, e ansiosa por encher de vazios este mundo, que parece tão concreto.
Gostei tanto que findei criando os espaços “nádicos”, onde não há nada, para compor a Gênese dos Universos, em Ubaia Doce.
Acho que fui encantado pela teoria do Nada, do Vazio, que preenche espaços. Bem que Carl Sagan poderia ter conversado com aquela cientista faladora. Poderia ter expandido o universo, sem dificuldades, para lugares nádicos. Talvez, esquecesse um pouco de sua admiração por Einstein, e daquela conclusão que Deus é o conjunto de leis da física.
As influências em UBAIA DOCE - Teses da Bíblia Cimeira - 1
Posted on Julho 26th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Enquanto escrevia este inédito romance, algumas leituras e diálogos me influenciavam, de forma discordante ou aderente. Gostaria de revelar algumas delas.
“A Diversidade da Vivência Científica: Uma Visão Pessoal da Procura de Deus”
Por Carl Sagan
Neste livro, o cientista expõe as suas opiniões sobre a relação entre religião e ciência, ao mesmo tempo em que descreve o seu percurso pessoal, no sentido de compreender a natureza do sagrado, através da vastidão do cosmos. Trata-se de uma transcrição de suas palestras, realizadas em 1985, na Escócia.
Li a obra, com espantosa velocidade, compartilhando comentários com meu filho Alan (o dono do livro). Como desejei encontrar respostas, em suas páginas. Mas, findei discordando do sábio cientista. Uma pena. Gostaria de me contentar com o seu pragmatismo científico.
Falando sobre Deus e Coisas Divinas, Carl se restringiu a afirmar que não tinha experiências, nem teorias comprovadas sobre a sua existência, ou sobre a existência da alma, por exemplo. Mas, quando um anônimo perguntou-lhe: Se não existe, teoricamente nada “fora” do universo, para onde este universo está se expandindo, se o universo é o “tudo”? O nosso cientista recorreu a teorias “não comprovadas”, para sugerir uma quarta ou quinta dimensão, não perceptíveis. Nesse momento, desfez-se, na minha cabeça, um resto de encanto da sua ciência. Ficou-me a sensação de que ele somente abriria exceção para acolher hipóteses aderentes às pseudo-comprovações de suas teorias. Enxerguei um homem preso em cordas e labirintos, que já não sabia mais como enxergar holisticamente as possibilidades transcendentais.
Sua “fórmula mágica” para explicar toda e qualquer existência viva é simplista e desprovida de origem, simplesmente não tem começo. Tudo é fruto da evolução darwiniana, e da seleção natural. A origem do universo, que está se expandindo (e que ele tolera, cientificamente, não saber para onde), é uma história que começa pelo meio, com um hipotético (pseudo-comprovado) “big bang”.
Ubaia Doce representou, para mim, uma oportunidade de dizer o quanto é possível unir “criacionistas” e “evolucionistas”. A exploração deste pensamento inclusivo resultou no capítulo Gênese dos Universos, do Livro dos Cimos.
Sobre UBAIA DOCE, o romance
Posted on Julho 13th, 2009 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Gostaria de falar um pouco com os leitores, sobre o meu novo livro, apresentando seus cinco aspectos primordiais.
1 - Cenário exuberante:
O cenário da aventura vivida é provinciano e universal. Escolhi a cidade do Natal, porque sempre começamos qualquer caminhada pelo nosso lugar de origem. Promovi algumas alterações propositais na organização política, em relação à cidade real. Mas, as praias maravilhosas, falésias, morros, todos os encantos geográficos estão presentes.
2 - Temática política:
A organização social e política de um distrito de Natal, onde se desenvolve quase toda a trama, sofre ruptura social, lembrando tantos outros lugares do mundo, também agredidos pela falta de tolerância. O livro aborda o absurdo de uma luta étnica e religiosa, que surge por outros motivos menos nobres. Em certos trechos, lembra a guerra insana de judeus e palestinos. Num contexto próprio de política “tradicionalista” (eufemismo), os acontecimentos são trazidos para a realidade brasileira.
3 - Questões religiosas:
Os cimos são os lugares sagrados da cidade. E, numa odisséia por estes recantos espiritualizados, os personagens Caetano e Micaela tentam encontrar as suas Verdades.
A imaginária bíblia dos cimeiros (aqueles que cultuam os cimos) está quase toda transcrita no livro, abordando temas contundentes e existenciais, como a origem do universo, a vida e a morte.
4 - Perseguindo a temática da auto-ajuda:
Como em “Almíscar” (meu livro anterior), “Ubaia Doce” segue, especialmente, transitando pelos labirintos estreitos da depressão, dos sentimentos de perda, dos medos, da acídia, em busca do caminho certo, da saída libertadora.
5 – Aventura pelas trilhas do sentimento humano:
Trata da relação entre homem e mulher, entre pais e filhos, entre amigos fraternos, numa perspectiva platônica, de amor puro, sagrado.
Tudo de bom
Posted on Junho 2nd, 2009 in Auto-Ajuda | 1 Comment »
Comemorar a Vida…
Parece difícil valorizarmos algo que nos é dado, a cada dia, sem muita cerimônia.
E, ainda, quando somos tragados por imensas ondas de atribulação, cansaço, correria, que simplesmente nos levam e trazem, a mercê de suas caudalosas águas.
Esforcei-me para arranjar um pequeno intervalo, na jornada diária de trabalho, para refletir sobre a vida, neste dia do meu aniversário.
É até natural sentirmos a necessidade de nos entender, de compreender o sentido, descobrir a origem, perceber o presente, saber para onde seguimos, enfim.
Atribuir sentido exato, matemático, físico, biológico, químico, para a vida parece ser uma obsessão humana.
Entender-se, porém, é bem menos, e pode ser muito mais.
Achar o Caminho de Verdade significa livrar-se de tantas cobranças e obsessões.
Ouvir “Parabéns para você!” e enxergar o quanto há para comemorar.
Somente isso já é tudo, tudo de bom!
Temporada das Flores (Leoni)
Posted on Maio 16th, 2009 in Auto-Ajuda | 3 Comments »
Dia de sábado, enquanto aprontava uma daquelas planilhas espertas, no escritório, bateu a vontade de quebrar o silêncio, ouvir uma boa música de fundo. Resolvi passear despretensiosamente pela internet. Lá no Youtube(R), uma surpresa ao buscar músicas do Leoni (um antigo fundador do grupo musical Kid Abelha). Deparei-me com esta linda canção. Daquelas que a gente ouve a primeira vez, e gosta, e quer ouvir mais. Sua letra merece atenção especial, demonstrando como o compositor conseguiu catalisar forças construtivas, a fim de recuperar algo muito especial, que denominou de “fome”, fome de viver. É contagiante o seu entusiasmo revigorado com a Temporada das Flores, recém aportada na sua vida. Como faz bem ouvir a melodia; dá vontade de “vestir o melhor sorriso” e distribui-lo por aí!
(Copie e cole este endereço->> http://www.youtube.com/watch?v=hW6DrzOTXrc)
Composição: Leoni
Que saudade agora me aguardem,
Chegaram as tardes de sol a pino,
Pelas ruas, flores e amigos,
Me encontram vestindo meu melhor sorriso,
Eu passei um tempo andando no escuro,
Procurando não achar as respostas,
Eu era a causa e a saída de tudo,
E eu cavei como um túnel meu caminho de volta.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Eu te trago um milhão de presentes,
Que eu achava que já tinha perdido,
Mas estavam na mesma gaveta,
Que o calor das pessoas e o amor pela vida…
Me espera estou chegando com fome,
Preparando o campo e a alma pra as flores,
E quando ouvir alguém falar no meu nome,
Eu te juro que pode acreditar nos rumores.
Me espera amor que estou chegando,
Depois do inverno a vida em cores,
Me espera amor nossa temporada das flores.
Morrendo, a cada dia
Posted on Março 14th, 2009 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Minha tia Anita, a Tatá para os íntimos, emprestou-me um interessante livro de Eckhart Tolle. Trata-se de “O Poder do Silêncio”, que segue a linha de outros best sellers do famoso escritor.
Li e gostei. Conheci uma abordagem interessante sobre a “morte”, um tema bem emblemático, que tem o poder de despertar controversas e confusas definições. Eckhart fala sobre a morte que acontece aos poucos, que esvazia a importância da matéria, a cada dia. E, num momento definitivo, abre-se a “porta” do “esplendor luminoso da luz branca do Vazio” (definição do Livro Tibetano dos Mortos), oferecendo uma grande oportunidade de elevação espiritual.
Logicamente, nossa cultura ocidental nunca permitirá entender a morte como qualquer coisa menos trágica ou menos dolorosa. Nossa concepção dominante é simplista e inconseqüente: vamos viver como se fora o último dia, ter prazer, sucesso, prestígio, exacerbar todas as sensações inebriantes, e nos afastar da idéia da morte (evitando trazer algum azar). Ou seja, façamos de conta que somos imortais!
Eckhart lembra que as pessoas que já esperam a morte começam a ficar “transparentes”, perder um pouco da ligação com o corpo, tornando-se mais luminosas.
Sei que a idade muda as pessoas. Posso perceber em mim, hoje, muito da tranqüilidade que meu pai demonstrava em relação à morte. Precisamos mesmo exercitar as pequenas mortes diárias, sem imaginar que estamos em depressão ou com idéias suicidas. Pois o processo da morte, por definição da palavra “processo”, acontece aos poucos, de forma lenta e gradativa.
É importante entender que, apesar de existirem questões materiais periféricas, há uma razão espiritual maior envolvida. Por isso, precisamos nos preparar, serenamente, para a boa “passagem”, orientando e firmando os espíritos dos que seguirão o caminho. Saber que deixamos todos bem, isso é confortante, mas não poderá aumentar ou diminuir nossa aceitação do destino inevitável, que não é tão trágico, quanto aprendemos em nossa escola rudimentar.
Devemos, então, “morrer a cada dia”, sabendo viver pacificamente todos os instantes, enquanto oferecidos, seja lá qual for a extensão da jornada.
Uma recessão de valores irreais
Posted on Março 9th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
“Desde a Segunda Guerra Mundial, a ideologia dominante do desenvolvimento tem como preocupação exclusiva a transformação da natureza em matérias-primas e o uso de recursos naturais para a produção de bens e para a acumulação de capital”. A afirmação da física indiana Vandana Shiva indica que a discussão sobre o modelo de desenvolvimento centrado no crescimento econômico deve considerar melhor a relação do ser humano com a natureza. Apostar as fichas no crescimento econômico como condição central (e muitas vezes única) para a melhoria social significa acreditar que os recursos de nosso mundo natural são inesgotáveis.
Não se contentando com a velocidade natural do “mercado”, as sociedades capitalistas criaram, ainda, um “faz-de-conta” financeiro, onde bancos e operadores de bolsas passaram a fabricar capacidade artificial de consumo. E o consumo é a religião deste mundo globalizado. Para atender a demandas anabolizadas, veio a produção em larga escala, o incremento do comércio internacional, o desperdício, a descartabilidade dos bens e uma nova escala de valores.
Agora, várias bolhas de desenvolvimento consumista se estouram, de forma encadeada. As pessoas, as empresas, os países já não acreditam que podem consumir tanto quanto imaginavam. Aquele “cheque em branco”, que comprava tudo, já precisa ser preenchido, e ter lastro. E não há riquezas suficientes para saldar tanta despesa em aberto.
Como diria o meu amigo Samuel Alves, o mundo está alavancado demais. As operações financeiras tornaram irreais as riquezas econômicas, de valores muitas vezes superiores aos de produção. Se um conceito de desenvolvimento baseado em quantidades produzidas já não é admissível, imaginem o desenvolvimento sem lastro de produção.
É hora de parar e repensar essas falsas verdades. Não podemos achar que o consumo de carros, celulares, produtos de grife, fumo, bebidas, excesso de alimentos seja sinal de riqueza e desenvolvimento. Diferentemente do que ensina o marketing capitalista, o homem não tem, nem pode ter necessidades ilimitadas. Por favor, não deixem os 1,3 bilhão de chineses e os 1,1 bilhão de indianos acreditarem nas premissas desse marketing surrealista! Senão estaremos em maus lençóis.
A crise não é tão financeira quanto parece. É um alerta muito mais profundo. Estamos buscando poder de compra e riqueza com muita velocidade, e achamos que essa euforia alucinante de consumo pode nos dar prazer e êxtase inesgotáveis. Mas, a primeira lição a ser reaprendida é que nada neste planeta é inesgotável.
Cultivando espinheiras
Posted on Março 6th, 2009 in Auto-Ajuda | No Comments »
Ser blogueiro é fazer a crônica do dia-a-dia. E, de vez em quando, guardamos alguns cacos de vidro ou alfinetes no bolso. São os assuntos que nos espinham, sempre que tocamos lá, no seu lugar. Quando nos deparamos com o mau-humor, a descortesia, a falta de atenção, e outras mazelas humanas, cultivamos espinheiras potenciais. A descortesia é própria de quem não é gentil, de quem é indelicado, de quem está sempre falando no seu tom, sem procurar adequação ao interlocutor. Viver com alguém descortês é sentir-se, constantemente, mal-tratado. Porém, considerar-se mal-tratado pode ser bem relativo. Para uns, a ausência de cordialidade, para outros a falta de um simples aceno, de um aperto de mão; é a percepção que definirá a medida pessoal da cortesia ou descortesia. Cada pessoa tem a sua escala de aferição.
Aqueles que passam a vida toda recebendo carinho se tornam mais sensíveis, e exigentes nos relacionamentos. Já os filhos da sisudez não se mostram muito afeitos a qualquer mimo, acham muito natural o destempero, que é até familiar ao seu habitat de origem. Ás vezes, esse segundo tipo de pessoa espalha e distribui aridez, obrigando os outros a conviver com desconfortos, mesmo que não se julguem merecedores.
As pessoas que maltratam nunca lembram do que fizeram, e nem sempre fazem isso por maldade. Pode ser apenas um jeito de ser. Elas somente sabem ser assim, ou aprenderam a ser irremediavelmente assim, e não conseguem mudar.
Por isso, não vale a pena sair por aí, querendo fugir do mundo árido, buscando nunca conviver com as pessoas de trato difícil.
Pois o nunca é tão breve neste mundo dinâmico, onde até a graça, por vezes, se torna escassa.
E se não lhe tratam bem, e aí? Se alguns pensam que gentileza é troca mesmo, não entendem que é DOAÇÃO?
Fazer o que? Deixar, definitivamente, de lado todo e qualquer simples querer, “aridar-se” por influência, por não aceitar desconfortos ou por ser tentado para o exercício do revide?
Não pode ser a resposta. Enquanto não é reencontrado o caminho do amor, um grande marasmo de indiferença povoa o coração, como se quisesse apagar algumas marcas, e terminasse apagando tudo.
Quem sabe, um dia, mesmo as pessoas áridas consigam se tornar singelas, e compreendam que o segredo da vida é distribuir graça, leveza e encanto, sem recibos, sem conferências, sem faturas, sem cobranças.
Com a medida justa do bem-viver, permitir-se-ão aprender a doar, cuidar, tratar bem; e assim desvendar o prazer de cada momento vivido.
Tesouros Permanecidos
Posted on Dezembro 21st, 2008 in Auto-Ajuda | 3 Comments »
Era dia de acordar cedo. Madrugada de quinta-feira, 3h. Estava preparado para uma viagem de trabalho, passagem aérea comprada, agenda feita, malas arrumadas, notebook, pen drive, documentos e relatórios. Na cabeça, já o pensamento focado nos compromissos, nas obrigações da viagem, na expectativa dos bons resultados.
Sim, mas para realizar tudo aquilo, existia um percurso bem pequeno a ser cumprido, o trecho mais curto da viagem. Sair da minha casa e chegar ao aeroporto de Natal. Qual era a importância para mim daquele trecho? Algo próximo de sair do quarto da casa para a cozinha. Ou seja, nem me lembraria horas depois.
Levantei-me, bem cedo, e chamei minha esposa para me acompanhar. Como sempre, ela preferiu que eu dirigisse o carro. Mala, computador, documentos de embarque, tudo pronto, seguimos em frente. Iniciamos o trecho pela BR 101, com a estrada vazia. Logo no primeiro quilômetro, percebi que havia alguns entulhos na pista, estavam bem visíveis. Do outro lado da BR, algumas luzes diferentes, movimentação. Reduzi a velocidade, imediatamente. Já avistara muitos acidentes em minha vida. E sabia da importância de ficar atento para não atropelar alguém ou provocar outro acidente.
Enquanto me preocupava em desviar de um poste caído na pista, de repente, senti uma forte pancada na traseira do meu carro. Esforcei-me para manter firme o volante, enquanto o carro era jogado, bruscamente, para frente. Barulho horrível de ferro a se contorcer, coisa quebrando. O carro não capotou, já dei graças a Deus. Parou, aquietou-se, voltado ao contrário, ainda no meio da pista. Olhei do lado, e vi que estávamos bem. Dei graças a Deus mais uma vez. Todos gritavam, falavam, falavam, tentando abrir a porta, querendo ajudar. Minha porta não abria; meu pescoço doía, da mesma forma que as pernas e a coluna. Consegui sair do carro, em meio a gritos. O meu olhar varria o cenário, mas o cérebro estava concentrado numa agenda de viagem, em compromissos que seriam cumpridos bem cedo. Estava muito tonto e confuso, mas precisava me lembrar das coisas que levava para a viagem. Quanto ao veículo, já estava perdido mesmo, nem me importava mais. Então, com ajuda de Anjos Enviados, conseguimos sair da área de perigo. Alguns objetos ainda foram recuperados do interior do carro contorcido e amassado. Tentei entrar na ambulância do SAMU, mas havia uma pessoa bastante grave, sendo removida, preferencialmente. Fomos, então, de carona com Daniel Burgos (um colega de escola do meu filho, que nos prestou socorro), ao Hospital do Coração, que se localizava, ali, bem próximo.
Chegamos bem ao Hospital, em termos, pois as minhas dores aumentavam. O atendimento foi rápido, fui colocado numa maca, apalpado pelo Médico de Plantão. Segui, então, de maca, até o raio X. Aquele trajeto foi muito longo. Olhava apenas para o teto, se movendo, e a memória me trazia lembranças, daquele mesmo lugar. Embarguei a garganta, mas consegui segurar. Porque deveria fraquejar? Fiquei me perguntando. E até me repreendendo. Mas, a resposta não estava a meu alcance.
Afinal, boas notícias vieram com os exames, nada estava quebrado. Porém, continuava doendo. Fui medicado, e passei o resto da noite no hospital. A cabeça, que já estava a mil, começou a contabilizar tudo, todas as perdas e mudanças que o acidente me impôs.
Mas, os segredos, próprios das vitórias, também se revelariam. Eu estava tranqüilo com a minha consciência. E isso me fez bem. Tranqüilizou-me refletir sobre meus próprios atos. No dia anterior, tinha regularizado o meu seguro vida, meu carro também estava totalmente coberto por outro seguro. Lembrei dos meus procedimentos, guiando corretamente o veículo. Aliviei-me, por levar apenas mala e equipamentos (que ficaram destruídos pelo impacto) no banco de trás do veículo, onde costumeiramente viajam meus filhos.
Quanto ao causador da batida, o condutor que abalroou a traseira do meu veículo e fugiu do local, não consigo relevar sua conduta irresponsável. É provável que estivesse embriagado, ou que imaginasse ter matado alguém com sua imprudência.
Percebi que as perdas, afinal, foram somente materiais. Tudo o que mais valia estava bem salvo. E, como havia muitas maravilhas permanecidas, agradeci muito a Deus. Principalmente, por Ele ter-me socorrido pelas mãos de tanta gente de boa vontade, e também ter-me ensinado a importância de fazer a minha parte.
O Dia da Colação de Grau
Posted on Dezembro 14th, 2008 in Auto-Ajuda | 2 Comments »
Sexta-feira, 12 de dezembro, dia de evento no Colégio CEI. As turmas do 3º. Ano estariam colando grau, como manda a tradição escolar.
Eu e Kátia, juntamente com tantos outros pais, familiares e amigos, numa grande corrente de esperança e de fé, acompanhamos a diplomação de Alan e seus colegas. Nos acontecimentos marcantes, nas conquistas especiais dos filhos, os pais comemoram juntos, com um furor renovado, quase juvenil. Um sentimento paterno aflora, naturalmente, traduzindo uma sensação de contentamento diferente, amoroso por essência.
No decorrer da cerimônia, pensativo, como expectador numa platéia, pude perceber enfim o que a dinâmica do tempo conseguiu, sorrateiramente, disfarçar: Como aqueles meninos e meninas de outro dia se transformaram, em corpos já de homens e mulheres! A bem da verdade, para os pais, independentemente da idade, os filhos nunca deixam de ser crianças.
Enchi o espírito de alegria, ao enxergar, em meio a tantos rostos, tantos semblantes, a imagem de meu orgulho, o reflexo de meu carinho, o fruto de minha expectativa.
“É meu filho!” Alvorocei-me, emocionado, aplaudindo o seu nome.
Cada jovem se apresentava, então, um a um, para a diplomação, participando e curtindo o momento, ao seu modo, do seu jeito. Apertos de mão, beijos; um soquinho no ar, aqui e ali; palavras de agradecimento, discursos; aplausos, muitos aplausos. Em cada cabeça, um mundo, uma forma de pensar, um conjunto de rabiscos e idéias, que ainda não se agruparam perfeitamente. Eram sorrisos, encantos, certezas, ansiedades, silhuetas, andares, cabelos, trajes que denotavam uma multiplicidade tão extraordinária. E como eram belos, muito belos, todos!
A diversidade que os distinguia, diferenciava, era a mesma que os tornava igualmente especiais. Talvez não conseguissem compreender a ALEGRIA que enchia de lágrimas os olhos de seus pais, pois a maturidade haverá de apurar-lhes o jovem espírito.
Ainda que tão diferentes, todos esses moços e moças conseguem simbolizar uma magia única, sagrada, capaz de unir tantos corações. Nas palavras do pregador, eles são SAL e LUZ, tempero e iluminação que renovam a humanidade.
Eis o segredo, que se desvendou, neste dia de revelação. Era o dia do AMOR paternal, maternal, universal. Era o dia da colação.
Parabéns, Alan, pela conclusão desta etapa que o marcará por toda a vida.
BOA SORTE, meu filho!
Procure entender melhor, a cada dia, seus próprios anseios; abra seu coração para os sentimentos mais nobres; siga buscando as conquistas e os seus objetivos escolhidos. Acredite, eu sei o quanto é difícil escolher caminhos, neste momento da vida.
Sempre que olhar de lado, verá que estarei junto, pronto para ajudar, se for preciso. Um beijo.
Sonhos do que virá
Posted on Dezembro 8th, 2008 in | No Comments »
É dezembro, chegou a hora das festas,
Um tempo para o tempo se renovar.
É Natal!
Tocados pela Verdadeira Inspiração,
Relembraremos de tudo, o quanto pudermos;
Do real significado;
Daquilo que conseguimos registrar;
Daqueles que passaram,
E, na memória, não deixamos ir;
Daqueles que ficaram;
De um presente que, agora, já se faz passado.
Sigamos, então, à risca, os planos para o futuro.
Vamos adentrando,
Que se abram as portas de 2009,
Uma nova etapa que se revela,
Embalada por sonhos que já imaginam tudo,
Tudo de bom,
O que virá.
Lance campeão!
Posted on Dezembro 7th, 2008 in Sem Categoria | No Comments »
Final de campeonato, um domingo especial de futebol.
Sentado, à frente da tevê, esperava vibrar com os gols, as jogadas da rodada final do Campeonato Brasileiro. As emoções futebolísticas fariam meu coração bater forte.
Sou torcedor do São Paulo, time pelo qual tenho simpatia, desde os tempos do mestre Telê Santana. O futebol é um esporte que me encanta, porque desafia a lógica, emociona, apaixona, surpreende.
Enfim, tudo correu, conforme o esperado pela torcida tricolor. Jogo encerrado no Estádio Bezerrão; São Paulo sagrou-se campeão. Parecia que as emoções se apaziguariam e, como torcedor, eu me aprazeria com a merecida festa da vitória.
Eis que, em meio à comemoração do título são-paulino, a Tv Bandeirantes passou a transmitir flash de outro acontecimento.
De repente, surgiram as imagens trágicas de um torcedor vascaíno. Ao contrário do São Paulo, o Vasco estava na ponta de baixo da tabela, e teve a sua queda decretada para a segunda divisão do Futebol Brasileiro.
O jovem torcedor, chamado Nando, apresentava-se transtornado, agarrando-se à beira da marquise do estádio São Januário, pronto para precipitar-se de uma altura de 20 metros. Nesse instante, meu coração de torcedor apertou-se, como se estivesse assistindo à cobrança de um pênalti contra o meu time. Não sabia se desligava o televisor, ou se virava de costas. Mas, fiquei com os olhos grelados nas cenas, muito assustado, até sussurrando, pedindo baixinho para que parassem de transmitir aquelas imagens insuportáveis.
O rapaz, que estava tomado pelo desespero, tentava o suicídio, e transmitia fielmente a mensagem de amargura de um torcedor derrotado. Agarrado na ponta da marquise, estava quase caindo, sem forças até para retornar; já passara mais de meio corpo da beira.
Na arquibancada, abaixo dele, os torcedores esqueceram, por um instante, de chorar. Todos olhavam para cima, percebendo a gravidade da situação. Começaram a estender uma grande bandeira vascaína, na esperança de amparar a provável queda do suicida.
Eu queria poder ajudar, também; como gostaria de fazê-lo! Cerrava o punho, remexia-me na cadeira, mas sabia da minha impotência diante dos acontecimentos.
Então, comecei a pedir por aquela pessoa tão desconhecida. Eu torcia pela “defesa milagrosa do goleiro”. Os bombeiros se aproximaram do suicida, e ele se desesperava ainda mais; e eu também estava me desesperando junto.
Meu Deus, como uma vida pode se esvair dessa forma? Não permita, não permita!
Num lance mágico, como um goleiro que se joga no canto certo, um bombeiro herói alcança o jovem suicida, puxando-o para o lado da vida.
Ufa!
A minha felicidade foi tanta que soquei o ar, em comemoração. Nem me importei mais com futebol, com campeonato, com gols.
E, para Nando, o jogo terá prorrogação; sua real peleja, agora, poderá ser continuada, quem sabe, vencida.
A verdadeira campeã tinha sido, por fim, revelada: A VIDA!
Espírito!
Posted on Dezembro 7th, 2008 in | No Comments »
Noite Cansada
Posted on Novembro 25th, 2008 in | No Comments »
Tarde da noite,
Na mente, ainda, flashes de tudo,
De tudo que mais se fez
E se não fez;
O que menos se ficou,
O que mais, o que mais?
Do contínuo que não cessará,
Daquilo que não se completou;
Do cansaço em pedaços,
Aos poucos, instantes a revelar,
Mesmo que a luz tímida nem desponte,
Posto que é tarde,
Tarde demais para ser noite,
Cedo demais para ser dia.
Algo que nem findou,
E que, sei lá,
Se por fim começará.
Alegria
Posted on Novembro 22nd, 2008 in Sem Categoria | No Comments »
Os humanos nascem frágeis, extremamente fracos, dependentes, delicados e desprogramados; dispõem inicialmente de alguns instintos ativados, e só. Por isso, precisam ser amparados bem cedo, e preparados, ensinados a sobreviver. Aos poucos, vão se aprontando para realizar seus papéis individuais e coletivos na sociedade.As pessoas bem formadas, bem orientadas, bem criadas, costumam ser consideradas as mais preparadas para a vida. Todavia, por mais longa que seja essa vida, e mais completos o aprendizado e a experiência adquirida, nunca haverá alguém definitivamente pronto.Em nossos variados estágios existenciais, todos nós sempre estaremos nos aprontando, mais e mais, cada vez mais. Nossa mente demandará, incessantemente, conhecimentos. O corpo necessitará de cuidados para crescer, manter-se, mesmo que envelheça, e finalmente, inevitavelmente, venha a perecer.É isso! Até para o definhamento da morte precisamos nos aprontar. Estar em condições de morrer é um privilégio, pois denotará a perfeita previdência, a missão cumprida de capacitar os descendentes para a continuidade.Ao que parece, somos mesmo uma obra inacabada, um projeto que fica no rascunho, e depois é descartado, dando a vez aos substitutos naturais.As gerações, assim rascunhadas, se sucedem, sem cessar.Rumar para a morte é o objetivo mais certo e indesviável que se nos apresenta.Isso seria o suficiente para apavorar os ansiosos, aqueles que “sentem” prematuramente os futuros imagináveis e as possibilidades.Para atenuar este mal castigante, há de se pôr ungüentos, encontrar antídotos. Uma fonte de avivamento poderá curar a ansiedade, e até desencurtar a fatídica caminhada para o descesso:A “FORÇA DA ALEGRIA”.
Ela é capaz de nos curar dos males indesejáveis, tonificando o que de melhor seríamos capazes de sentir; tornando-se o manancial para o embelezamento de todas as paisagens, para a tolerância dos mais desiguais, para sedação da mais acentuada dor, para a analgesia do mais enraizado sofrimento.Esta força comprovará que de nada adianta a experimentação prematura da dor que não sabemos quando nos tocará (mesmo que seja inevitável, e nos alcance). Pois, nunca superará o prazer da alegria precedente, desprendida de ansiedades.Viver alegre, banhar-se diariamente na fonte milagrosa da alegria, não é bem um segredo a se desvendar. É mais um bom conselho para alargamento de horizontes, para iluminação de caminhos sombreados, para o transcorrer efetivo desta nossa trajetória tão passageira.
Bandas do universo, faces de Deus
Posted on Novembro 15th, 2008 in Auto-Ajuda | 3 Comments »
O universo é um mistério recheado de beleza, e de enigmas.
Muitos poderiam traduzi-lo como a casa oferecida para abrigar o milagre da vida.
Continua a ser incompreendido, inexplicado, por mais que se tente avançar nas fronteiras do conhecimento científico. É ambiente de coisas mágicas, que funcionam harmoniosamente; que parecem não depender de nada (individualidade) e, ao mesmo tempo, depender de tudo (interconectividade) para isso.
E nós, que nos consideramos partes importantes desse cenário, usamos todos os sentidos, que imaginamos possuir, para viver a existência permitida, tão intrigante quanto prazerosa. Precisamos, ainda, buscar a razão, um pouco que seja, para que possamos nos autodenominar de racionais. Que nunca esqueçamos de nossa suposta condição superior.
Se a mão não toca, o olfato não cheira e o paladar não degusta, a mente sofre para entender. É assim que funcionamos. Neste contexto, demandamos o sentido da visão, de forma mais primordial, pois também precisamos (quase sempre) ver para crer.
Talvez, a nossa visão, mesmo não se tratando de um sentido totalmente preciso, seja a grande ferramenta da nossa compreensão, a testemunha do nosso entendimento desentendido.
É comum afirmar-se: O que os olhos não vêem, o coração não sente.
Mas, será que o universo é aquilo que nossos olhos captam? Ou a Natureza transcenderia o mundo visível? Estaríamos mesmo na dimensão exata de nossa existência?
Na busca (infrutífera) pela explicação racional dessa existência, recorremos ao uso de nossos olhos. Enxergamos imagens, e buscamos a visão do universo, sempre pelas lentes encurraladoras que impõem limites de percepção.
Às vezes, deparo-me com minhas próprias indagações, surpreendo-me com idéias malucas sobre essa percepção que arvoramos ser real.
Será que vemos o mundo total, sentimos, cheiramos e ouvimos todas as bandas e facetas do universo?
Ou será que estamos num estágio tão rudimentar, que nossos sentidos são primários?
Então, realmente, existiria uma PORTA para novas dimensões, que lembrem o céu e o inferno bíblicos?
Poderia essa virada de banda, tão caracterizada pelo nascimento e pela morte, ser ocultada pela nossa limitada capacidade de sentir.
Se aceitamos saber apenas que nada sabemos, é por que já aprendemos, pelo menos, a questionar o conhecimento. Isso é um avanço, por mais filosófico e menos científico que pareça.
Um dia, quem sabe, chegaremos ao universo completo, cheio de sentidos e entendimentos descobertos, e aprenderemos a razão de nossos cultos, nossa religião, nossas crenças.
Lá, em contato com a Verdadeira RAZÃO, única, multiplamente esclarecedora e justificadora de toda a história pregressa da humanidade, reafirmaremos o pequeno tudo que pudemos aprender; mesmo sem nada saber, ao certo.
Um pouco além
Posted on Novembro 1st, 2008 in | No Comments »
Porque somos tão testados?
Como uma ronda, que nos segue, acompanha,
Porque nos testa, em tantos momentos?
Sabemos que algo está para acontecer
E temos a nossa parte a cumprir.
Tudo bem que, enquanto realizamos, nos sentimos mais capazes.
Sabemos que poderíamos somente nos acomodar, junto aos desistentes.
Mas, porque nos testa, tanto, em tantos momentos?
De vez em quando, temos a vontade de só curtir o desconsolo,
E nos acompanhar com o desalento, sem mais ninguém.
Deve ser normal.
Mas, aí, chega a nós Sua ronda, a sondar.
Sempre com muita urgência,
Chamando-nos a cumprir nossa parte.
Sentimo-nos cansados, mas continuamos achando normal.
Se o cansaço anda acossado pela desistência, e prenuncia algum término,
Logo presumimos um instante de descanso.
Será que o destino ficou mais próximo?
A cada estrada que se abre,
Pensamos ser o Seu caminho, enfim, definitivo, que nos será oferecido;
Que não nos cumprirá pavimentá-lo, nem mais construir pontes, ou desterrar avalanches.
Mas, aí, chega a nós Sua ronda, a sondar.
Sempre com muita urgência,
Chamando-nos a cumprir mais uma parte.
Um pouco além, é o que nos cabe.
Meu Pai, uma saudade que faz 83 anos
Posted on Outubro 27th, 2008 in | 7 Comments »
Papai,
Às vezes, a gente quer fazer de conta que nada mudou. Como desejaria encontrá-lo em casa, hoje. Conversaríamos, sem muita pressa, nem correrias. Falaríamos das eleições municipais, do mundo cheio de incertezas financeiras. Eu daria um beijo na sua cabeça, coisa que pouco fiz em toda a sua vida. Mas, hoje, eu abraçaria mais forte do que antes. Deixaria minha cabeça perto da sua, por alguns instantes. Com o coração aberto, eu diria que AMO VOCÊ; que você foi e será a inspiração de toda a minha vida; que não existirá barreira a nos afastar; que, diferentemente da vida, o AMOR é infinito.
Hoje, quero imaginar todos os nossos diálogos possíveis, fazer-lhe perguntas, ouvir suas respostas. Para mim, elas são reais.
A sua voz, bem viva em minha memória, autentica nossa conversa, e consigo ouvir, novamente, o que a realidade dura e finita não mais permite.
Papai, estou pintando uma série de quadros sobre um de seus personagens mais interessantes, o “Seu Zé Antônio”, retratado em dois dos seus livros, a “História de São Paulo do Potengi” e “Memórias de um Pirata”. Gostaria de ouvi-lo contar, novamente, como se fora a primeira vez, aquelas “estórias” do protético de sua terra. Elas só têm graça, encanto, quando contadas do seu jeito, com sua força e ânimo. De sua voz, quero captar as cores, as tintas, os movimentos, que espalharei pelas telas. Não conseguiria fazê-lo, sem a sua ajuda.
Vamos falar da família, das conquistas de cada filho, dos netos que estão cada vez mais bonitos (“puxaram ao avô”, você diria imediatamente). Você sabia que Alan e Tatiana estarão tentando vaga na universidade para Engenharia e Arquitetura? Afinal, quantos netos engenheiros você vai ter?! Não é à toa que o Aluísio Neto (seu professor particular de informática) puxou a fila.
Hoje é um dia de expectativa. Saberemos o resultado do vestibular de Direito, da Farn. Tem uma pessoa muito especial que poderá realizar um sonho – dele e seu; que, independentemente do resultado, já construiu uma vitória, uma virada na vida, e tudo graças ao seu apoio, que nunca faltou, nem faltará, inclusive agora.
Você sabia que temos uma psicóloga iniciando novo trabalho em Natal, formando enfim um grupo de estudos, com sua própria liderança, com a sua energia aglutinadora e empreendedora. Ela é sua filha! Ela não esquece tudo que aprendeu com você, a obstinação, a persistência, a maneira inteligente de buscar caminhos, pela força do trabalho.
Pai, vou deixar-lhe por uns instantes. Sei que Mãinha vai servir-lhe aquele suco de perinha, seu preferido. E você vai jogar aquele olhar, fitando-a, apaixonadamente. Tratando-a de “Amor Sacrossantizado”, “Baronesa”, “Dona Augusta, Primeira e Única”, ou simplesmente “Au”, dirá que seu amor é para “duzentos anos” e que precisa “dar-lhe um arrocho”. Encerraria logo o discurso com um “venha cá!”.
Foi bom termos conversado, num dia tão especial.
Como se estivesse bem junto da sua rede preferida, vou baixar-me um pouco, ficar de joelhos; aproveitando que está sentado à minha frente, vou abrir os braços, fechar os olhos, e sentir que posso tocá-lo e abraçá-lo. Você, até meio desconcertado, poderia me perguntar por que estou chorando.
E eu responderia: Estou feliz por sua presença.
Feliz aniversário, meu Pai!
Maranhão, trabalho que me brinda com uma síntese de Brasil
Posted on Setembro 21st, 2008 in | 2 Comments »
Chegando ao MARANHÃO!
(Terra onde negros, índios e europeus formaram uma miscelânia cultural, síntese do povo brasileiro)
O semblante das pessoas, seus costumes, sua maneira de falar, tudo aqui, nas portas da Amazônia, é resultado de uma fantástica junção de culturas.
(. . .)
Todavia, esta não é uma viagem de pesquisa ou de turismo.
Então, voltando ao mundo da labuta, e procurando enxergar os ambientes, menos com olhos de poeta e pintor, mais com a determinação de um empreendedor. . . Vamos ao trabalho!
Vida de viajante, saindo pelo mundo para empreender novos projetos.
Chegando em São Luís, é hora de desarrumar a mala, aprontar-me para o trabalho duro, e as viagens aos “canteiros de obras” da empresa PAGUE LIGEIRINHO, pelos recantos de um estado cheio de contrastes, oportunidades e belezas naturais.
Hora de pegar a estrada. Precisamos fazer o reconhecimento de várias localidades do interior.
Em pleno sábado, iniciamos, então, uma viagem de quase 2.000 km, pelos rincões do Estado.
Vamos desbravar as estradas (um pouco esburacadas) do Maranhão, aproveitando para apreciar suas paisagens.
Primeira parada. Ao lado do BB de Bacabal, mais um canteiro de obras. Está nascendo nova loja do PAGUE LIGEIRINHO:
Almoçamos, rapidamente, em Bacabal, e partimos (eu e o pernambucano Guttemberg) para Caxias, a terra de Gonçalves Dias, o “grande poeta dos Cantos e dos Timbiras” (definição de Machado de Assis). Este intelectual brasileiro era filho de um comerciante português com uma mestiça cafuza brasileira, típico representante da união das três etnias formadoras de nosso povo (e do maranhense): branca, indígena e negra.
Alguns prédios da antiga localidade guardam a sua história, memória e cultura:
Em Presidente Dutra, pousamos no Hotel Trindad, desfrutando de um café da manhã típico, com direito a coalhada, beju etc. Valeram os 211 km rodados na estrada, desde Caxias (por aqui, tudo é distante!).
Seguindo viagem . . .
Depois de passar pelo portal da “metrópole” de Pastos Bons - MA, defrontei-me com uma surpresa no meio das plantações de soja, que tomam conta do sul do Maranhão.
Um redemoinho formou-se, ao lado da estrada, como se fora um pequeno furacão de vento. Registrei, de pronto:
Continuo, então, pelos caminhos que levam a Balsas . . .
Mesmo que o trabalho seja árduo e estafante, sigo pelas trilhas de um Brasil interiorano, captando imagens e sons, para não mais esquecer. Neste cenário de contrastes, paisagens, encontro-me com a razão de ser brasileiro.
Sinto-me remetido, em cada paragem, à minha autêntica condição de nacionalidade, de BRASILIDADE.
Vida de empreendedor, vida de viajante, encantando-me com a beleza e o calor dessa terra (40 graus na sombra).
Até breve, câmbio!
Navegar é preciso
Posted on Setembro 15th, 2008 in Sem Categoria | No Comments »
O céu acinzenta-se, a noite avizinha-se; sua esperança perece, e você acha que nada vai dar certo.
“Visitaram“ o interior de seu carro, sem autorização, a plena luz do dia; aquela dorzinha de estômago resolveu voltar ao seu convívio; algumas abobrinhas para descascar; e você se desconsola com a vida. O saldo da sua conta bancária também não ajuda.
Mas, de repente, um velho amigo convida para tomar café e bater aquele papo.
Será que vale a pena “chorar as pitangas” e fazer a ladainha da desesperança?
Ou seria melhor atestar a pequenez dessas agruras diárias, despachando-as, rebaixando-as à classe dos assuntos desinteressantes.
Afinal, “tudo vale a pena, se a alma não é pequena”. Há muito mais a enxergar! A poesia, os sonhos, as boas companhias, a felicidade de saber-se acolhido pela aura receptiva das pessoas queridas.
Em algum lugar bem especial, a simpatia da vida está guardada, à espera de resgate.
Prossiga, em sua busca.
É só navegar, porque navegar é sempre preciso…
Uma viagem inesquecível (24.08 dom)
Posted on Agosto 26th, 2008 in | 1 Comment »
Chegada a hora do retorno.
Volto para o Brasil, com um novo olhar sobre o passado. Entendi que a história não se resume, nem se completa de sentido “sem gotas de Sol e de Perfume”, como ensinou a minha querida Professora Maria de Lourdes Azevedo. A surpreendente poetisa tocou-me, com sua invocação ao Doiro (Rio Douro), e sua contestação ao poeta Miguel Torga.
Aproveito-me, então, de sua verve poética, para também suplicar ao Rio de tantas lembranças:
“Doira a minha memória, e conta a milagrosa história que engrandece o passado, e ilumina toda a minha vida. Que traga para sempre perto, e perenize, a voz, a alma, o encanto daqueles que não seguem pelas nossas estradas terrenas, cujas memórias o tempo nunca apagará.”
E, nas margens do rio Cávado, em Barcelos, lá dexei um pedaço de minhas lembranças. Nem o sol que revelava os parreirais soberanos, nem o glamour do Solar da Quinta de Azevedo, nada conseguia brilhar mais altivo que o encantamento de Fernando Guedes. Sua aura de empatia me ensinou muito sobre os valores da HONRA. Mais que um título a revestir a história de meus ancestrais Azevedos, uma evocação à NOBREZA mais pura e fraterna, à verdadeira essência humana.
As fotos e os filmes, certamente, ajudarão a lembrar das imagens e sons lusitanos, tão marcantes. Mas, não conseguirão expressar a emoção que ficou guardada, no peito. O sentimento contido que um visitante, tão desconhecido, guardou para sempre, como uma nova lembrança de uma velha história.
Ó terras de Entre-Douro-e-Minho, reavivando a memória saudosa de meu Pai, quase escutando-lhe falar de nossa tradição ancestral e familiar, com a mesma ênfase, com todo o amor de um filho, sinto-me realizado e orgulhoso, pelo privilégio de conhecer os seus encantos, com tanta pureza de alma.
Até breve, Portugal …
Obrigado ao Anfitrião Fernando Guedes! (23.08 sab)
Posted on Agosto 23rd, 2008 in Sem Categoria | 2 Comments »
Eis a freguesia de Lama, concelho de Barcelos, Distrito de Braga, Portugal. O lugar dos Azevedos ancestrais.
Bem ali, a entrada da Rua dos Condes de Azevedo,
onde se localiza o magnífico Solar da Quinta de Azevedo, com sua torre majestosa.
Meu Deus do céu, que recepção amável e atenciosa!
Estou imensamente agradecido ao anfitrião, Sr. Fernando Guedes, patriarca do Grupo Sogrape, um dos mais importantes produtores de vinhos da Europa.
Uma acolhida digna dos Condes, de nobres visitantes, que não sei nem porque me foi concedida. Talvez tenha sido esta a verdadeira razão de ali estar: Reviver a NOBREZA! Não me refiro à altivez de títulos e honras, mas à grandeza humana. A Nobreza representada pela figura desse anfitrião, o “cavalheiro das boas-vindas”. Fernando Guedes, uma pessoa encantadora, simples e autêntica.
Tomamos um café, na varanda do solar. Eu estava embasbacado, já fazendo agradecimentos prévios. Afinal, adentrar ao Solar já me bastara como um prêmio. A viagem do Brasil para Portugal, de tão longa, foi-me criando expectativas, que julgava preenchidas até então.
Não imaginava eu que o Sr. Fernando preparara surpresas, planejara toda a visita, com detalhes. Até mesmo uma seleção de livros da sua biblioteca pessoal estava sobre mesa especial, à minha espera. Ele cuidou, pessoalmente, de marcar as páginas desses livros, que possuíam citações dos Azevedos, com pequenas talas de papel, para facilitar a minha leitura.
Conheci cada recanto do solar, filmei e fotografei tudo. Encantou-me, especialmente, o teto do salão nobre, com os quatro brasões das descendências dos Azevedos, um em cada canto, tendo ao centro uma águia negra (símbolo característico da família).
Voltamos à sacada do solar.
O Sr. Fernando perguntou-me se gostaria de beber mais alguma coisa. Eu não queria abusar da sua hospitalidade, mas também não resisti, e tratei de aproveitar oportunidade tão ímpar. Pedi para provar o vinho “Quinta de Azevedo”. Fui antendido, prontamente, e tomamos algumas taças juntos. Soube, então, que este vinho não é vendido em qualquer lugar, por suas características especiais. Seu preço de venda também situa-se acima da média, em razão da sua nobreza. O sabor do vinho branco “Quinta de Azevedo” que posso descrever, na minha completa ignorância enólica, é borbulhante, menos ácido do que esperava, leve, agradável, com aquele breve amargor da uva verde. Aliás, por falar nisso, descobri que “vinho verde” não é a descrição de cor da bebida. Trata-se de um registro de procedência. Da mesma forma que existe o vinho “do porto”, que designa a região do Porto, o vinho “verde” representa origens como a dos vinhais de Entre-Douro-e-Minho. Tanto que existe o vinho verde tinto, uma expressão que me soou, estranhíssima.
Fizemos um passeio pelo parreiral da Quinta de Azevedo, no carro do próprio Fernando Guedes. Ali, percebi seu conhecimento sobre o manejo e a cultura vinícola.
Para finalizar nossa tarde, fomos até a capela, situada defronte ao solar. Naquele lugar, encontram-se sepultados o conde e condessa de Azevedo. Uma bela e simples capela, também restaurada e reconstruída pela Sogrape, em seu explêndido trabalho de recuperação do patrimônio histórico da Quinta de Azevedo. Trabalho que rendeu menção como uma das maravilhas da Cidade de Barcelos, no Norte de Portugal.
Vejam mais algumas belas imagens do interior do Solar:
Conheci o Solar dos Azevedos, de Vila Real (22 - sexta)
Posted on Agosto 22nd, 2008 in Sem Categoria | 1 Comment »
Fui a Vila Real, uma bela cidade, mais ao Leste de Portugal, na região do Rio Douro, de Trás-os-Montes. Pelo caminho, avistei paisagens das montanhas, fazendo o percurso sinuoso da auto-estrada. Foi um espetáculo!
Explêndida foi a recepção da Professora Maria de Lourdes Azevedo, proprietária da Casa e Solar dos Azevedos, em Vila Real (foto abaixo).
Conversamos muito sobre a história da casa, cuja construção data de 1300, e sobre os ilustres moradores Pe. Antônio de Azevedo e Camilo Castelo Branco. A antiga residência solarenga, denominada “Casa da Timpeira”, situada ao sul de Vila Real, foi transformada em hotel, vinculado ao Projeto Português TURIHAB (Turismo de Habitação).
Fones de contato: +351 259 322590, 321812 (falar com Dona Ma. de Lourdes Azevedo)
Fiquei muito impressionado com a vitalidade daquela senhora (com mais de 80 anos de vida), subindo escadas, abrindo e fechando portas. Gentilmente, ainda, serviu-me um vinho do porto com biscoitos portugueses. Tudo isso, sem parar de falar, sem perder o fôlego, nem a empolgação da retórica.
Disse-lhe que Papai também tinha esta mesma empolgação, e certamente conversaria com ela uns três dias sem parar, caso fosse possível tal encontro. Coisas de Azevedo, mesmo.
Dei um pulo em Barcelos (21 quinta)
Posted on Agosto 22nd, 2008 in | No Comments »
As fotos mostram como é belo e agradável esse pedaço de Portugal. Fui a Barcelos, onde viveram alguns ancestrais das famílias Dantas e Azevedo.
Em tempo: No caminho, não resisti e dei uma espiada na Quinta de Azevedo (Freguesia de Lama). Aqui, em Portugal, farei visita oficial aos dois solares da Família Azevedo; este de Lama conhecerei somente no sábado. Que expectativa!
Fotos da Vila de Prado (a freguesia que escolhi para me hospedar)
Posted on Agosto 22nd, 2008 in Sem Categoria | No Comments »
Fotos de Lisboa - BNP
Posted on Agosto 21st, 2008 in Sem Categoria | 1 Comment »
Elvis nunca esteve a morrer por aqui
Posted on Agosto 21st, 2008 in Sem Categoria | 2 Comments »
Portugal é um país tradicional, que se moderniza, recebendo novos avanços, frutos da integração com a Comunidade Européia.
Tem uma organização política bem diferente da brasileira. O país é dividido em distritos, que possuem concelhos com várias e pequenas freguesias.
Estou no Distrito de Braga, Concelho de Vila Verde, Freguesia de “Vila de Prado”.
A região é minhota, próxima ao Rio do Minho, de clima temperado. Aqui, existem boas opções turísticas rurais, sem falar num monte de padarias, que servem excelente café (beleza!).
Na pracinha central da Vila, alguns autofalantes tocam, o dia todo, uma rádio comercial, daquelas do Ponto de Cem Réis, em João Pessoa; em cada poste, um “boca-de-ferro”, zoando música e propaganda!
Em frente ao Hotel Bom Sucesso, estava lá, pois, um boca-de-ferro desses. Acordei já com o som de Elvis e do Grupo Abba, em pleno Entre-Douro-e-Minho. Eu nunca imaginaria isso.
Cheguei ao Minho - 20.08.2008 quarta
Posted on Agosto 21st, 2008 in | 1 Comment »
Depois de ter conhecido a Biblioteca Nacional de Portugal, e toda a sua moderna tecnologia de acesso e pesquisa, seguiria para o Minho, meu verdadeiro destino. As pesquisas em Lisboa me levaram à Biblioteca Genealógica, muito interessante, localizada na Avenida Gago Coutinho. Na verdade, trata-se de um projeto da Igreja Mormom americana, que digitalizou os registros de tombo em Portugal. Uma boa descoberta, um caminho interessante.
Bem, já às 16h, peguei meu carrinho alugado (um charmoso smart, bem pequenino) e segui para Vila de Prado, a freguesia onde me hospedaria. Na auto-estrada, bem veloz aliás, vários pontos de “portagens” (pedágios) que exigem um tiquê (ticket) de pagamento; é assim: na primeira portagem, você entra na cancela e retira o tiquê, quando chega à cidade de destino, antes de sair paga pela distância percorrida. Na estrada, a cada 30 km, existem “áreas de serviço”, com um posto de gasolina e loja de conveniência. Os postos são todos de auto-serviço, as pessoas mesmas colocam o combustível; tive que exercer minhas habilidades de frentista, para encher o tanque.
No final da tarde, 20h, estava chegando em Braga, uma cidade razoavelmente grande. Não achei o caminho que tinha ensaiado no google earth, mas tudo bem. Encontrei a pequena Vila de Prado! O hotel Bom Sucesso estava lá, na praça central. O simpático Sr. João me atendeu no check-in. A internet sem fio funciona no apartamento, conforme prometido em minha reserva. Que maravilha!
Portugal: De volta ao começo da história
Posted on Agosto 19th, 2008 in | 2 Comments »
Agradável o vôo da TAP, bom serviço, desde Paris até Lisboa.
No aeroporto, recebi informações honestas. Uma atendente, antes de me vender um voucher de táxi, perguntou-me sobre o hotel de destino. Sugeriu, então, que pegasse o transporte fora, pois seria mais barato. E foi mesmo, porque o hotel localiza-se nas proximidades do aeroporto.
Estranhei somente o café dos portugueses. É muito fraco, aguado mesmo, no estilo do chá-fé. Pelo menos, uma vantagem: não tem cafeína, afinal só colocam água mesmo.
Cheguei às 13:30h (9:30h fuso Brasil), encontrei um clima agradável e ensolarado. Nada de frio. Por aqui é verão.
Conheci a Biblioteca Nacional de Portugal, muito bem equipada, organizada. Deverei fazer, amanhã, a doação de um exemplar do livro “Memórias de um Pirata”.
Quem vier a Lisboa, e quiser ler o trabalho de Aluísio Azevedo, orgulhoso descendente de portugueses ilustres, agora já poderá fazê-lo na BNP. Tenho certeza que este gesto seria endossado por ele; e sinto-me imensamente orgulhoso de vir aqui, em seu nome, para fazer a entrega do livro.
Sei que está bem junto de mim, seguindo cada passo, desde o olhar atencioso sobre a região de Entre-Douro-e-Minho, lá da janela do avião, até a caminhada pelas ruas tranqüilas de Lisboa.
O lisboeta é um povo maduro, acolhedor, que gosta de brasileiros. Mas, fecha os estabelecimentos para o almoço, e até para passar as férias de verão. Muitas lojas na Avenida de Roma estavam de portas baixadas.
Descobri uma biblioteca especialmente dedicada aos livros de genealogia, e farei visita nesta quarta, às 15h.
De resto, elogios para o Hotel Lutécia, que entrega os bons serviços prometidos na internet, com simplicidade e qualidade. Acesso internet gratuito nos apartamentos, banheiro espaçoso, estrutura bem funcional e uma boa equip”a” profissional.
Amanhã, seguirei de carro para a Região do Minho.
Avante!
Enfim, na Europa (18 - 19.08.2008 - seg ter)
Posted on Agosto 19th, 2008 in Sem Categoria | 5 Comments »
Viagem cansativa de São Paulo a Paris. Foram 11h de vôo. Ufa! Muito parecida com uma Natal-Fortaleza, pela Viação Nordeste. A diferença é que, na Nordeste, a cadeira cabe o meu corpinho esbelto.
Era uma roncadeira chic danada dentro do ônibus, quero dizer, do avião.
Você acaba de sair de São Paulo, e já começa a amanhecer o dia (efeito do fuso horário).
A Varig e a TAM utilizam o terminal 2 do Aeroporto de Paris. A chegada é bem confusa, não existe esteira para a Varig. E fui salvo por um funcionário passante (deve ser um franco-argelino) que falava inglês; fiquei “tortin” de alegria ao saber que a minha mala sairia do terminal 13.
Na saída do desembarque, bem simples e rápido atendimento do controle de passaporte.
Parei no corredor, decorei a frase da pergunta em francês, e consegui achar o transporte gratuito para o Hotel Campanile.
Naquele momento, eu ainda não sabia direito o que era dia, nem noite, e o meu estômago e intestinos estavam em parafuso.
Aqui, em Paris, não fiz absolutamente nada. Desisti do passeio noturno. Dei expediente na minha empresa, em Natal e São Luís, via skype e msn. Não jantei. Só dormi a noite (anoitece às 21h), que estava atrasada, e perdi o vôo para Lisboa, no dia seguinte.
Neste momento, estou no terminal 1 do Charles de Gaulle, sem fazer nada, olhando para essa galera globalizada, multicolorida, que fala todos os idiomas possíveis, menos o português e o espanhol. Estou me comunicando 70% em inglês, 20% espanhol, 10% francês e “gesticulês”.
Fazer o quê? Pedi uma água, a 3 euros (R$ 7,50). E fiquei na enrolation, só teclando …
Vou atrasar minha chegada em Lisboa (só chegarei às 2h da tarde), mas ainda poderei manter a programação de visita à Biblioteca Nacional, para as minhas pesquisas iniciais.
Merci
Au revoir!
Cambio.
Um Marco de Saudade
Posted on Julho 30th, 2008 in | No Comments »
29/07/2008.
Há 50 anos, nascia Marco Aurélio Rocha de Azevedo. Meu irmão, quanta saudade!
Você é assim
Agora, um sonho prá mim… uma lembrança
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
E como eu não mais o vejo
Eu penso em você
Lembrando, quem sabe …
A gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança, de novo
A gente brinca de reviver
A velha infância…
E seus olhos, meu clarão
Ainda me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
E eu sigo
E nunca me sinto só…
Meu irmão, eterno professor, para sempre,
A sua vida, sua história vivida, ainda me ensinando a viver
Você é assim, agora
Um sonho prá mim
Uma lição para não esquecer.
(Contém trechos da música Velha Infância, de Arnaldo Antunes/ Carlinhos Brown/ Marisa Monte)
Adormecido Encanto
Posted on Julho 6th, 2008 in Sem Categoria | No Comments »
Quando nascemos, chegamos ao mundo, sem parâmetros, sem medidas, sem talas, à espera do aprendizado, do Saber. Somos, em princípio, uma máquina parcialmente desprogramada. Então, passamos a absorver o conhecimento sobre as coisas, distinguindo-as através das comparações. Entendemos logo que a percepção pressupõe a relativização, para decodificar formas, aparências, gostos, cheiros.
Relativizamos nosso mundo, para poder medir e apartar o bem do mal, o bom do ruim, o bonito do feio. Nesse processo, então, decidimos eleger aquilo de melhor e mais agradável que nos cerca, desde imagens, formas, até atitudes, personalidades, pessoas.
Encontramos, enfim, o nosso jeito de ser, de encarar a vida, de escolher, de apreciar.
Algo até racional e previsível, enquanto não somos tocados pelas forças do espírito, e pela magia do amor.
O amor, sentimento mais forte e sagrado de um ser humano, às vezes extrapola a lógica, ultrapassa os sentidos conhecidos, quebrando barreiras e padrões.
O amor, somente ele, supera as forças da relativização aprendida, dos ensinamentos apreendidos, fazendo nascer uma nova forma de viver.
Por amor, fazemos mudanças, transformações, concessões para viver encantados.
Todavia, com o tempo, permitimos que uma acomodação traiçoeira venha corroer as bases de nosso encantamento. Ficamos vulneráveis, e nos distanciamos, abandonamos nossos caminhos, antes compartilhados. Arrefecemos o ímpeto, relaxamos os sentimentos, ficamos meio guardados, resguardados, meio esquecidos.
Aquilo que, antes, quebrava as barreiras, unia pessoas tão diferentes, fazendo-as pensar até que poderiam ser parecidas; agora, apenas adormece, sem qualquer arrojo.
E o encanto se dissipa, ou até se desfaz.
Sem mais querer olhar, sem achar bonito, belo, sem ao menos respeitar; até mesmo afrontando, assim o encanto quebrado vai deixando lacunas.
Quando o nosso encanto está se desmanchando, a companheira ou companheiro torna-se inconveniente; desejamos ficar isolados, até para resguardar as lembranças. Talvez, tentemos recuperar algo perdido, lá atrás, no tempo. As pessoas parecem mais perigosas, desonestas, interesseiras, não confiamos mais no mundo.
Quando, em nossas vidas, não encontramos mais beleza, pureza, alegria, sinceridade nas pessoas, é sinal de perigo.
É hora de buscarmos, no interior, o encanto adormecido.
Pessoas encantadas sorriem, dizem bom dia, desejam o bem, atraem o bem, fazem o bem.
Afinal somos contra ou a favor da Vida?
Posted on Junho 5th, 2008 in Sem Categoria | No Comments »
O STF (Supremo Tribunal Federal) aprovou, no dia 29.05.2008, as pesquisas com células-tronco embrionárias no país. O Supremo rejeitou uma ação direta de inconstitucionalidade contra o artigo 5º artigo da Lei de Biossegurança, mantendo a permissão para utilização, em pesquisas, dessas células fertilizadas in vitro e não utilizadas.
Este tema é bastante controvertido.
Devemos lembrar que a decisão foi jurídica, e não moral ou religiosa. De qualquer forma, considerar que um embrião não implantado no útero da mãe seja uma “pessoa”, uma vida plenamente constituída, me parecia um pouco de exagero, típico do pensamento conservador.
Ao abordarmos questões polêmicas, como esta, torna-se impossivel não adentrarmos na seara religiosa. Primeiramente, é importante ressaltar que as religiões não são baseadas na lógica, e sim na fé, na crença; portanto, não demandam explicações concretas. Assisti algumas palestras de líderes religiosos, destacadamente as do grande evangélico Silas Malafaia. Percebi, no entanto, que alguns tentaram misturar a teologia com os conhecimentos das ciências exata e biomédica, para enfatizar suas posições dogmáticas.
E quando misturam perigosamente a força de sua “crença em Deus” com a leitura “ao pé da letra” desses textos? Essas pessoas fazem interpretações pessoais perigosas, humanas, para textos sagrados.
Com base em deduções literais de ensinamentos (especialmente os bíblicos), algumas religiões chegam a desaconselhar transfusões de sangue, e não permitem a doação de órgãos.
Devemos respeitar a devoção religiosa de todas as pessoas, que são livres para escolher seus caminhos, com base em suas crenças. Não podemos, todavia, impor tais orientações a toda uma sociedade, em forma de Lei.
Quando uma criança (fecundada, formada, parida, nascida) tem a atividade cerebral cessada, aceitamos que ela perdeu a vida, mesmo que o seu coraçãozinho esteja batendo. Seus pais, então, têm o direito de doar os seus órgãos para transplante, para salvar outras vidas.
Este direito nos remete à questão em debate. Doar células de um embrião (que estará fadado ao “descarte”, depois de um certo período de conservação) também deveria ser um direito dos pais.
Doar células-tronco de embriões é um ato humanitário, não podendo ser considerado um gesto contra a vida. Por isso, acredito que a decisão jurídica foi sábia e correta, permitindo o uso científico dessas células de embriões, em pesquisas.
Todavia, esperamos que essas pesquisas sejam feitas sob estrito controle, sem extrapolações, com base em parâmetros éticos rigorosos, sempre com o objetivo de salvar vidas.
Viva a vida!
Combate ou Incentivo ao Racismo?
Posted on Maio 14th, 2008 in | 2 Comments »
À
Educafro – Educação e Cidadania de Afro-descendentes e Carentes
Caro Frei Davi,
No dia 13 de maio, li uma nota de jornal, onde se noticia o manifesto dessa Organização em defesa do sistema de cotas para ingresso em universidades brasileiras.
Visitei o site da Organização e, lá, verifiquei que, no conjunto de suas atividades, a Educafro luta pelos direitos universais do homem, combatendo o racismo e todas as formas de discriminação.
Quando percebi que as tais cotas, defendidas no manifesto, eram baseadas na cor da pele das pessoas, bateu-me um frio na espinha. Este tipo de cota, com critério “racial” parece afirmar que o preconceito é justo, desde que usado do lado certo. Fico bastante preocupado, quando percebo que pessoas de bem, defensoras de causas nobres, podem dar sustentação a ações segregadoras, ratificando a escolha de caminhos perigosos e irreversíveis.
O chamamento da Educafro convida-nos ao engajamento radical na luta do povo negro e pobre. Ficou-me a impressão de que negritude e pobreza são quase sinônimos, têm relação obrigatória, no entendimento da Organização. Decerto, as estatísticas demográficas e sociais, os números ajudam a generalizar e rotular suas afirmações e preceitos. Mas, a pessoas não se resumem a números.
Todavia, se o objetivo é ajudar pessoas carentes, necessitadas, desamparadas pela sociedade e desassistidas pelas políticas públicas, então por que discriminá-las pela cor da pele? Por que aguçar a mácula da discriminação? Por que rotular negros, como raça pobre, estabelecendo cotas para essas pessoas? Afinal, não existem “raças” distintas pela cor, mas somente uma humanidade, uma raça, a Humana.
Meu caro Frei, desejo que a Educafro possa dar continuidade à sua luta, porém adeqüando o discurso; mantendo sua missão precípua de solidariedade, mas evitando o “caminho do racismo”. Esta trilha é perigosa e cria feridas, rancores, segregação irreversível. Erros históricos, grandes injustiças do passado e do presente não justificam ações também discriminatórias; nada justifica o “racismo”, a distinção “racial”, sob qualquer pretexto.
Que defendamos cotas para alunos de escolas públicas, para pobres, para pessoas com necessidades especiais.
Contudo, não vamos segregar nosso povo, subdividi-lo em padrões “raciais”, através de critérios confusos, estatísticos, numéricos, enganosos, perigosos!
Parece um detalhe, mas é uma questão de princípio humano, religioso, e cristão.
Atenciosamente,
Aluísio Azevedo Júnior
Eu preciso lhe falar da minha saudade
Posted on Maio 4th, 2008 in Sem Categoria | 7 Comments »
Hoje são 04 de maio.
Mais um motivo para reencontrar você, papai.
Reencontrá-lo, agora, é lembrar;
Lembrar de suas palavras, de seus gestos, de sua maneira especial de ser, da sua voz firme, da sua ativa presença.
Como estou longe de Natal, certamente você estaria tentando ligar para meu celular, até para reclamar de minha ausência.
“Alô! Aluisinho, meu filho, você não veio mais aqui, faz uma semana, …”
Sua voz ainda persegue minhas recordações, acompanha-me, presente em lembranças tão fortes, que o trazem para bem perto, bem aqui, ao meu lado.
Como gostaria de conversar mais um pouco com você, de me desculpar por não ter passado na sua casa, e já me convidando para almoçar e colocar o papo em dia.
Porque um filho deseja, sempre, compartilhar a sua vida com o pai.
Há dias especiais, em que gostaria de lhe contar a melhor das novidades, em primeira mão.
E você, com aquele sorriso discreto, mão no queixo, dedo mínimo tocando levemente a ponta do nariz.
Eu sei quão alegre e orgulhosa seria a sua acolhida.
Orgulho de pai é reconhecimento, é amor, é contentamento.
Por isso, sempre desejamos encher de orgulho nossos pais.
Papai, hoje, quem sabe, conversaríamos, como antes;
Pensaríamos, juntos, nos seus projetos literários.
Eu poderia passar a mão em seu cabelo.
E, simplesmente, dizer da saudade que tenho no peito.
São Luís (MA), 04.05.2008.
Conheci um pouco de Neruda no Chile
Posted on Abril 17th, 2008 in Auto-Ajuda | 1 Comment »
Conheci uma das Casas de Pablo Neruda, a “La Sebastiana”, em Valparaiso, no litoral chileno. Ali, aprendi sobre a vida e obra de um grande Poeta. A maneira como descreveu as imagens, sons e perfumes da natureza denotou a sua incomparável sensibilidade.
Não resisti à tentação de traduzir este poema, e estar sintonizado com o seu pensamento. Inesquecível sensação de percorrer o mesmo caminho, pelos múltiplos labirintos da sua genialidade!
O Poeta descreve o nascer do sol, com seus tons avermelhados, que sucede a noite, já envelhecida, após mais um “combate fervoroso”.
.
A Noite em Isla Negra
Pablo Neruda
A velha noite e uma confusão de movimentos
Golpeiam as paredes da minha casa:
Somente a sombra, o céu,
É agora só uma pulsação do mar,
E céu e sombra se arrebentam
Com o fervor de um combate sem limites:
Toda as noites lutam,
Ninguém percebe a irreversível presença
De uma cruel claridade que vai se abrindo
Como uma adormecida fruta:
Assim nasce na costa,
Da furiosa sombra, uma nova aurora reluzente,
Meio despedaçada pelo alvoroço de tantos movimentos,
Empurrada pelo peso da noite,
Ensangüentada, surgindo de sua cratera marinha.
Neruda, à esquerda. Os três viajantes: Kátia, Aluísio e Tatiana (Alan vai na próxima)
Conselhos de Pai
Posted on Dezembro 29th, 2007 in | 2 Comments »
Embasbacado, meio tolo, sempre orgulhoso de seus filhos, querendo permanecer presente, sempre feliz por estar próximo, muito feliz. Esse é o Pai.
Ah, esse tempo incessante! O tempo nos prega algumas peças, quando nos entregamos ao cotidiano. É que o deixamos simplesmente passar, sem perceber. Ainda lembro de 03 de novembro de 1989; que amanhecer especialmente dadivoso! Exatamente, 5 anos após ter conhecido Kátia, em 03 de novembro de 1984, nosso primeiro filho vinha ao mundo. Era uma menina. Chorosa, é bem verdade. Minha filha. Poderia ter recebido o nome de sua Hexavó, Micaela. Mas, tornou-se Tatiana, um lindo nome, para protagonizar uma bela história de vida.
Os pais se esforçam para ajudar seus filhos em suas escolhas, evitar que se exponham ao perigo desnecessário, colocar limites, e brincar, acariciar, abraçar, perguntar (insistentemente) se eles os amam. Os pais chamam os filhos de babies, de meninos, independentemente da idade que tenham. Nem sei se querem que eles cresçam. Mas, eles crescem, desenvolvem seus próprios conceitos sobre o mundo, até acham que já sabem o necessário, ou tudo.
Paciente, o pai acha melhor ser chamado, do que interferir, então espera por uma solicitação, uma pergunta da filha ou do filho. Uma perguntinha só. Porém, a espera é sempre frustrante. Se as indagações não vêm, então o jeito é sair adiantando as respostas. Fazer o quê? O pai precisa, então, tentar adivinhar que resposta atenderia àquela pergunta que não foi realizada, aquela que consideraria importante. Por isso é que acaba pagando um mico atrás do outro. E a sintonia se torna mais difícil.
Quero dizer muita coisa para você, minha filha. Certamente, conversaríamos horas e horas, a fio. Sei que, em algumas oportunidades, será muito legal conversar dessa forma. Porque aprendi a valorizar as conversas que tinha com o meu PAI, seu avô. Você deve imaginar como eu tenho saudade dele. Às vezes, até sonho tocando os seus cabelos brancos, acariciando a sua cabeça. Eu pedia para meu pai me contar as suas histórias de vida, sempre. Mesmo que repetisse alguns causos, ele interpretava com tanto entusiasmo, que eu ficava empolgado também. Não me importava se a história já era conhecida, repetida, se não havia surpresas no desfecho. Eu me encantava, do mesmo jeito. Acostumado a ouvir meu Pai Querido, eu já imaginava, um dia, também poder desfrutar do tempo para somente conversar com os meus filhos (imitando meu pai). Todo filho gosta de imitar o pai.
Como não consigo me conter, e as dúvidas, os pedidos não chegam, vou logo respondendo algumas das “melhores perguntas” que um pai gostaria de receber, da melhor forma, da forma mais amorosa que eu poderia responder e aconselhar.
Minha Filha,
Nunca perca o medo. Esta será a sua proteção contra situações que desconhece ou que lhe exigem atenção especial, prudência.
Nunca ache que já aprendeu o suficiente. Não desperdice uma oportunidade de conversar com alguém que pense exatamente o contrário das suas convicções.
Abra os olhos e enxergue o seu mundo. Comunique-se com as pessoas que compartilham os seus territórios, independentemente da idade. Perceba, especialmente, os idosos e as crianças.
Não se preocupe tanto com o tempo. Você não precisa tomar decisões para resolver a vida, seu destino, somente porque está chegando às portas da universidade. Há muito tempo pela frente. Faça suas tentativas, explore suas escolhas, mas tenha a convicção de que poderá voltar e refazer, ainda melhor, por outro caminho.
Não se arremesse ao mercado de trabalho tão cedo. Quanto mais cedo começar a trabalhar, menor será a sua renda, maior será o caminho a percorrer. Ao iniciar uma atividade profissional, prefira aquelas que sejam aderentes aos seus planos, acrescentem experiência e bagagem curricular.
Seja honesta, procure sempre a forma legal, correta, de agir, seja ética, tenha respeito pelas pessoas. Analise sempre os problemas pelo lado inverso do seu posicionamento, para melhor entender as discordâncias.
Tenha a certeza de que cada vitória, na sua vida, será proporcional ao seu esforço. Então, empenhe-se! Escolha alguns bons objetivos, e corra atrás deles, do seu jeito, no seu ritmo, à sua maneira; dedique-se aos seus projetos.
Seja bondosa, por favor. Faça o bem, sempre. Tenha amigos verdadeiros e conserve-os como suas maiores conquistas.
Beijos, baby! Parabéns pela colação de grau do ensino médio. Feliz idade, felicidade, nos seus 18 anos. Eu sempre terei orgulho de você.
Daddy.
Sentimento Natalino
Posted on Dezembro 26th, 2007 in | No Comments »
Como de costume, não percebemos a corrida desenfreada do tempo. Impressionados, nem conseguimos disfarçar aquele ar de surpresa. Já é dezembro! Vamos nos aproximando de mais uma virada. Uma nova marca de passagem nos espera. E já podemos avistá-la, bem de perto.Olhamos para trás, lembramos de todo o trajeto percorrido, um ano inteiro, e refletimos, silenciosamente. As emoções mais puras, nossas melhores essências, afloram, junto com as luzes que enfeitam as ruas e casas.Estamos especialmente sensíveis ao mundo e às pessoas.Relembramos aqueles que, agora, nos acompanham sem mais estar, sem que possamos tocar, abraçar, beijar.É Natal! Podemos senti-lo!Seguimos em frente, como se estivéssemos orientados pelo brilho da Estrela de Belém. Nossas pernas querem se entregar ao cansaço traiçoeiro, mas sabemos que não é hora de parar, e sim de prosseguir, de passar.Abrimos os braços, como se fossem asas, e seguimos correndo. Imitamos o vôo dos pássaros, planamos, ensaiamos algumas piruetas; as pernas já não reclamam. A nossa alma vai se carregando de expectativas.De repente, notamos que não estamos sós!Alguns que seguem à frente, arrefecem o ritmo, abrandam a passada. Os perseguidores, mais atrás, se esforçam, e se aproximam, rapidamente. Nossas “asas”, que antes voavam, arrebatando a brisa, encontram repouso seguro, em ombros fraternos. Entrelaçando-nos em braços solidários, enxergamos uma enorme fita de chegada, bem à frente.Sem perceber, nos ajuntamos, lado a lado, ombro a ombro, abraçados. Estufamos o peito, e os nossos espíritos já falam a uma só voz, cantam, rezam a mesma oração, agradecendo a um Único Deus.Estamos prontos, alinhados. Num instante, em movimento harmônico, nós todos estaremos descerrando a faixa, a marca da nova chegada. Uma força arrebatadora se engrandece, pelo entrelaçar de tantos braços. O AMOR se revitaliza, em nossos corações. Olhamos para os lados, e nos damos conta de quão grande é o nosso abraço coletivo.Seguimos, enfim, ao encontro de 2008, a nova era. Ganhamos um novo livro, com páginas em branco; um novo caderno a espera de nossos rabiscos; um novo ano, uma nova vida.Contagiados pela ESPERANÇA, com sorrisos largos, miramos a LUZ, a nossa Guia, a nossa Estrela. E nos transportamos, enfim, para o nosso destino.
Que as nossas crenças, nossas atitudes, nossos anseios nos unam, com a força do Sentimento Natalino, e nos ajudem a construir este futuro, um novo tempo de afeto, paz e fraternidade.
Noite de Autógrafos em São Paulo do Potengi
Posted on Novembro 16th, 2007 in Auto-Ajuda | 3 Comments »
Grande emoção no evento de conclusão do “Projeto Despertar - Empreendedorismo Jovem”, com a noite de autógrafos do escritor Aluísio Azevedo Júnior, em sua terra natal. Um exemplar do livro “Almíscar - Empreendendo a Própria Vida” foi, ainda, doado para o acervo da Biblioteca Aluísio Azevedo; recebido pelo Diretor da E.E. Maurício Freire, o Professor Pedro César.
O Projeto foi uma iniciativa da Secretaria Estadual de Educação, e teve como objetivo a formação de uma cultura empreendedora nos jovens estudantes.
Destaque-se o empenho das equipes, dos professores, e a liderança da Professora Nini Souto, Diretora da 4a. DIRED.
Ambrósio Azevedo, radialista, figura importante e querida do escritor
Professora Nini Souto, administradora da 4a. Dired, e Geisa Rocha
Nericivan, Presidente da Câmara Municipal
Grande Mestre Sebastião Ferreira Neto, músico regente do Coral da Lira
Visita à Biblioteca Aluísio Azevedo, uma homenagem ao ilustre filho da terra, escritor e historiador, imortal da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.
Lançamento de ALMÍSCAR !
Posted on Outubro 17th, 2007 in Sem Categoria | 1 Comment »
BEM PERTO DO FUTURO
Posted on Agosto 22nd, 2007 in Auto-Ajuda | 8 Comments »
Aluísio Azevedo Júnior, 44 anos, escritor, consultor de empresas, lançou em 2006 o livro O CHEIRO DO CAFÉ.
“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo.” (Peter Drucker)
O futuro está sempre à sua frente, como etapa seguinte da vida, que vai se reinicializando, constantemente. Suas possibilidades e impossibilidades podem até lhe provocar medo e ansiedade. Para favorecer a consecução de suas aspirações, nesse estágio seguinte de sua caminhada, você precisará exercitar, proativamente, seus planos mentais.
Caro Leitor, faça um passeio virtual diário para realimentar o seu espírito. Em cada dia, ao repousar o sono dos justos, exercite um ritual de preparação para um adormecer consciente, pleno de conteúdo espiritual. Você irá aprender a voar com a força do pensamento; projetar, sobretudo, horizontes poentes e nascentes, deixando que pairem no ar todos os enigmas de sua vida, especialmente aqueles que acalmam seus anseios predominantes.
Trate, então, de condicionar a sua mente para a viagem imaginária do sono, um vôo raso pelas suas humanas fantasias. E saia pelo mundo afora, procurando avistar todos os cenários oferecidos. Às vezes, ao fraquejar, você vai perder altura de vôo. Nada que possa desesperar. Concentre-se, novamente, retornando à altitude de sua imaginação, revigorando a capacidade de observar o mundo fantástico.
Seu dia foi estafante, morno, frio, entediante, eletrizante, enfim, trouxe-lhe mais uma carga curricular de vida. Então, comece sua viagem pela avaliação do que de mais importante aconteceu neste hoje; repasse os ambientes, as paisagens do seu dia que finda, entendendo que se transformou, agora, em mais um capítulo do seu passado.
Quantos códigos foram decifrados neste dia? Avalie as novas descobertas, alguns constrangimentos, perdas presentes, vitórias bem pequeninas, quase imperceptíveis, grandes conquistas; sobretudo, pondere a mudança que suas expectativas sofreram a partir dos acontecimentos de hoje.
Você ficará meio sonolento e sentir-se-á mais leve, desonerado, para poder flutuar, com ainda maior desenvoltura.
Poderá, enfim, projetar seus ideários acalentados, deixando seu cérebro receber o fio de uma meada, uma centelha de energia a ser desencadeada. Pensará no destino mais próximo possível, seu primeiro dia no amanhã, que se iniciará logo mais. Será necessário encaixar, então, suas vontades mais iminentes, no intrincado contexto de uma realidade plenamente desejada.
E quando este dia especial for principiado, você será guiado e fortalecido por sua Natureza Divina, com certeza. Ao despertar, pela manhã, procure fazer uma prece especial, porque este poderá ser o “Melhor Dia da sua Vida”. Será a confirmação de que um futuro, novinho em folha, estará apenas começando, metamorfoseando-se, convertendo-se em presente, à sua mercê.






